“Ti arremanga e vem!” – Edson Olimpio Oliveira

 

 

2013 – 07 – 03 e 10 Julho 2013 – Ti arremanga e vem – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

“Ti arremanga e vem!”

             – Viamão ainda é a terra que o boca braba pode perder os dentes e borrar as cuecas! – dizia-me um amigo referindo-se a cenas de pugilato explícito na terrinha setembrina. Talvez, acreditem outros, que muitos guerreiros farrapos tenham reencarnado e prosseguem na peleia. – Isso é terra de macho. Uns mais machos que os outros. Tudo macho uma barbaridade. – completou. Os veteranos (velhos nunca!) lembram-se de um bloco carnavalesco anterior ao Madrugada CCC que respondia por “Ti arremanga e vem”. O pessoal se reunia para quebrar o pau no Paladino de Gravataí, na Lomba do Sabão e depois no “buraco do Padre”, na igreja da Viamópolis. Sabem essas torcidas organizadas que vão aos jogos buscando brigas? Nesse ritmo. Ficou famosa uma família em Viamão em que na ofensa de um aparecia de criança a mulher idosa afiada para o combate. Eram os tais de cafunchos. Ainda restam sobreviventes desses peleadores destemidos em que nas brigas juntavam urubus e a Brigada somente aparecia dias depois de chamada. Coisa braba. Muito valente ficou com a boca aberta de orelha a orelha ou palanqueado num balcão de buteco com a adaga entrando pelo umbigo e saindo pelas costelas.

Cr & Ag

                As famosas carreiras de cancha reta na Lomba da Tarumã quando faltava gente do Passo do Feijó, hoje Alvorada, ou do Capão da Porteira, o pessoal se atracava entre si. Motivo? Gosto de sangue na boca! Quando o valente sente o gosto de sangue na boca, o covarde sente um calor molhado nos fundilhos. Um corre na frente e o outro corre atrás daquele. Contam de uma dessas peleias cabeludas no costado da Cruz da Lomba. Um negro, que ainda não era afrodescendente, parou peleia com uma turma do Passo do Feijó. Negro ligeiro e do corpo fechado. A bala corria solta em berro de 38 e pum de garrucha e a adaga do negro “relampiava” no sol do entardecer. E ninguém segurava o homem tomado de uma fúria inaudita. O sangue encardia a grama poeirenta. Uma correria de doidos e gritos de “acuda que ainda sou moça” e “eu não fiz nada” ou “tenho mulher e oito filhos”. Quando a poeira baixou e o estrume firmou um pouco, dois tauras mortos – um degolado e outro com as tripas esparramadas num pelego rubro. Uns oito ou nove estropiados e retalhados e uma égua baia estrebuchando para morrer. – Uma égua? Sim a égua foi o estopim do desentendimento e morreu junto com o dono. – E o negro? – uns dizem que foi morto pelo delegado e enterrado no banhado onde está o lago, outros juram que fugiu para a fronteira. Na verdade, ninguém quis realmente saber, pois vá que o negro volte…

Cr & Ag

Eis que Viamão foi sendo colonizada por gente de todo lugar, sexo, raça e… valentia. Do bom e do menos-bom. – Te fresqueia que te formino! – dizia um professor e diretor de tradicional escola viamonense ao aluno que enquadrou sua afilhada numa ardente refrega de sofá. O aluno pegou rumo de casa e abandonou a escola. Tesão e burrice – mistura geralmente fatal! Por muito tempo aqui foi uma terra de viúvos, jamais de cornos. E língua grande e afiada servia para iscar anzol e pagar uns jundiás no arroio Alexandrina. Mas muda o mundo e mudam as pessoas, mas volta e meia tem algum com as paletas chiando quando o laço pega. As leis estão aí para proteger bandido e defender sacana. E nossas histórias irão sucumbir no esquecimento ao contrário dos ianques. Outro dia assistia a saga de lutas entre duas famílias e dois estados americanos – os Harfields & McCoys, uma saga com poucos sobreviventes de disputas insanas e extremadas. Mitos e lendas se confundem no ardor de sentimentos encapelados.

Cr & Ag

Vândalos e desordeiros! Pergunte-se a quem interessa o vandalismo desenfreado e impune durante os protestos de jovens e famílias que rejeitam lideranças embandeiradas? Quem leva vantagem com o vandalismo desacreditando ou fazendo com que as pessoas rejeitem os protestos?

Positivo

– Sou contra o REVALIDA para os médicos estrangeiros, principalmente os “importados” do governo Dilma.

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