2013 – 08 – 28 Agosto 2013 – Desesperança – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Desesperança
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esesperança é sinônimo de ‘desespero’, ‘desesperação’ e da tão conhecida e temida ‘perda de esperança’. A desesperança pode representar o derradeiro, o último sentimento, o baluarte final da humanidade. Quando o ser humano se sente invadido pela perda de esperança suas forças, suas energias vitais se esvaem e a morte é seu portal de saída. Triste? Muito pior. Quando alguém ou algum governo domina até que a esperança seja esvaziada, nada mais restará. Pelo menos nada de digno. Algumas profissões e alguns ofícios lidam e trabalham com a esperança mais do que em outras. Eis que algumas burlam o coração, pior ainda, traem o amor cravando falsas esperanças na alma alheia. Quantas músicas em que os poetas traduzem a malversação da esperança. Somos seres que tendem a acreditar, que tendem e necessitam amar e cultivar esperanças mesmo quando o racional nos alerta de que estamos plantando no deserto e a colheita, se houver, será decepcionante.
Cr & Ag
O médico é destas criaturas que jamais podem entregar-se a desesperança. Todas as suas energias e conhecimentos pessoais ou garimpáveis em colegas, literatura, outras pessoas e derradeiramente na fé são impulsionadas numa expressão atemporal – “enquanto há vida há esperança!” Todos a conhecem e muitos estarão se confrontando com ela em algum momento de sua jornada terrena. Seja em seu próprio benefício ou em outrem. Vários outros sentimentos se unem numa cadeia de laços poderosos para proteger a ‘esperança’ ou para afastar ou até sublimar a ‘desesperança’. Acredita-se que a animalidade enraizada no âmago humano seja exteriorizada plenamente quando a desesperança é superior. Mas até na animalidade o ser humano carrega essa luz que o impele para alguma mudança em si, na sociedade ou no seu ambiente. Sintam que “destruir absolutamente tudo e recomeçar antes do zero” traz a bestialidade, a perda dos referenciais mais nobres de humanidade e sociedade, mas traduz a forma distorcida de que seu autor espera e acredita que suas atitudes lhe trarão algo melhor – no seu entendimento, entenda-se bem.
Cr & Ag
O cronista e o jornalista são personagens vibrantes nesta cadeia de sentimentos. Jamais alguém possuído da responsabilidade de escrever ou ter acesso a uma ou milhares de pessoas deve sentir-se desesperançado. Quando isso acontecer – se acontecer – seu estado e ofício necessitam passar por uma reconfiguração de suas crenças e de seus métodos. Não temos esse direito. Muito menos nos permitirmos esse dever. Quando as pessoas descreem de suas instituições e de seus representantes legais devemos ser estabilizadores da ordem e catalizadores da esperança. Jamais da desesperança! Mesmo quando tudo parece fadado ao erro, quando tudo indica que a porcaria só tende a aumentar, que o mar de lama e estrume já não está mais ‘dando pé’, há que se acreditar, buscar novas luzes, motivar com correto direcionamento e apontar saídas e soluções que contemplem o crescimento pessoal e da sociedade.
Cr & Ag
Não há nenhum fatalismo em saber que erramos mais do que acertamos. Desde nossas escolhas mais simples até aquelas que envolvem respeito e dignidade pessoal e da sociedade. Num contínuo processo evolutivo de erro e acerto, ainda o erro predomina e felizmente possuímos a capacidade de aprender, entender e crescer com nossos erros e com a observação adequada dos erros que observamos nos outros. Cultivar e proteger a esperança, o respeito, a dignidade e o amor são ferramentas necessárias e fundamentais numa vida em que a desesperança seja somente uma palavra a ser lida no dicionário da existência.