2013 – 10 – 09 Outubro 2013 – Cupido ‘cumprido’ – Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Cupido ‘cumprido’
|
E |
is que mexi e remexi com os brios de muita gente com as constatações: – “A criatura pode ser feia, ter mau hálito e higiene comprometedora, atitude grosseira e egoísta, mas sempre haverá alguém para amá-la. Apesar de seus defeitos e tentar estoicamente melhorar, remediar, corrigir seu estado e comportamento.” Inclusive com os considerados ‘imexíveis’. Não pretendo invadir o território de Maio Vargas Llosa no livro “O perfeito idiota latino-americano”, mas como negar ou tangenciar a verdade se ‘cada pé torto encontrará um sapato torto’. Ou ‘para quem ama o feio bonito lhe parece’. Nem quero enveredar pelo poetinha Vinicius de Morais que entre outras profetizou: – “As feias que me pe
rdoem, mas beleza é fundamental.” A mitologia mostra-nos que o filho de Vênus é um serzinho alado e um arqueiro imprevisível. Os flechaços do Cupido perfuram os corações e ‘corassebos’ mais… digamos que mais, mais esquisitos. Quem sabe – mais surpreendentes?
Cr & Ag
Lembra daquela anedota gauchesca que um amigo diz para o outro entre um gole de cana e uma puxada no palheiro: – Mas tche, aquela rapariga além de feia como briga de foice no escuro ainda é renga dos cascos e tu vais te argolar… Ao que o outro arrematou de pronto: – Mas eu quero é pra tirar cria e não é pra corrida ou pra enfeite de estância! Que maravilha é o amor! Há coisa mais linda e sincera do que amor banhado de feiura? Na Viamão Setembrina de algum tempo passado e lembrado por nós escutou-se num casamento: – “Ele pode ser feio como o demônio, mas é muito trabalhador e sério (N.C.: decente, correto).” Observem como uma legião de marias-chuteiras caçam craques do futebol. É claro que querem homens trabalhadores e nem importa se a boniteza passou ao longe. É o amor(com acorde musicais).
Cr & Ag
Línguas viperinas ferem insistindo que no passado os casais faziam amor, sexo ou procriavam na escuridão já para não se enxergarem numa época anterior ao Viagra. Deve ser maldade dessa gente! Era uma época que não havia luz elétrica, nem luz negra ou espelhos no teto. Tempos medievais. O mundo não era tão transparente. Era algo tipo mensalão – até existiu, mas ninguém viu nada e foi tudo pro caixa dois dos colchões, dos lençóis e dos edredons. O amor pode ser contraditório e até absurdo. E saindo da relação homem e mulher e outras alternativas explícitas ou não, há quem troque a mulher por uma motocicleta. Quem seja viúvo e ressuscite o fusca, como um ex-presidente de ‘amigas’ desprovidas de calcinhas. Outros – o amor ou a paixão pela ideologia é tanta que querem fazer do Brasil uma grande Cuba. E não é a ‘cuba libre’. Há quem ame e se entregue de voto e alma ao Sarney, ao Maluf e centenas de outros genéricos num espinhel sem fim de desgraças anunciadas.
Cr & Ag
Um conhecido está no quarto casamento oficial, excetuando aquelas situações do tipo ‘entre San Juan e Mendoza’, ‘é namorido’, ‘ainda estamos experimentando’, ´é test-drive de longa duração’, ‘se juntar de verdade estraga e desanda’. Mais – ‘ela tem os filhos dela e eu tenho os meus, então…’, ‘nessa idade a tesão é como carnaval’, ‘amor é como confiar no governo’, o antológico ‘tico-tico no fubá’, entre outras certezas e insalubridades. No futebol e no maior tribunal de um país de Vargas Llosa, o ‘técnico’ muda jogadores no decorrer da partida para que o resultado seja favorável a sua vontade ou de seu comandante supremo. Na vida e no amor não é bem assim. O que está bom ainda pode azedar se alguém pisar na bola. O que já está periclitante ainda pode piorar ou nada é tão ruim que não possa ficar ainda pior. Logo – deixe a criança algemada dentro de você sair e amar, pelo menos nesse Dia da Criança de 2013. E que seja um ‘13’ de muita sorte e cumprido como esperança de brasileiro.