2013 – 11 – 06 Novembro 2013 – Chapelada com o chapéu alheio – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
“Chapelada com o chapéu alheio”
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uantas vezes observamos crianças com longas cabeleiras e ao indagarmos o motivo ou por espontânea justificativa dos responsáveis: – Foi uma promessa que eu fiz para que ele ficasse curado! Ou aquele enfermo em situação complicada que algum amigo ou familiar fazia uma “promessa” para que ele se recuperasse. Novamente seria o “doente” a pagar a promessa feita pelo seu “benfeitor”. Comum? Observem nas procissões de festas religiosas. E com cuidado entre os amigos ou familiares de doentes. Inclusive para sucesso nos negócios ou até na vida amorosa, mas sempre com o mesmo método: promessa feita para outrem pagar. Que beleza!
Cr & Ag
Alguns ainda se irritam, enfurecem-se caso contestado ou mostrando que a responsabilidade é de quem assume o compromisso e não do “beneficiado”. Controvérsia? Jamais. “Quem pariu Mateus que o embale” – diz a sabedoria milenar. Ou seja, a responsabilidade é dos pais das criaturas, crianças ou atos. Mas a roda do mundo responsável não gira com essa clareza e simplicidade. Governantes criam “benefícios” para que outros paguem a conta. E afirmam que “devem pagar com a maior boa vontade”. Sempre aparecerá alguém muito “socialista” para “tirar dos ricos e dar aos pobres” ou “tirar de quem tem mais”, desde que seja sempre no bolso dos outros. Conhece algo assim?
Cr & Ag
Assim também temos quem abrace alguma causa. Qualquer causa. Desde proteção aos animais como da sexualidade. E ai de quem não rezar pela sua cartilha e não “assumir” e agitar a sua bandeira. Há uma amiga que adota animais de rua como gatos, cães e logo cavalos. Lamenta-se que “ganha pouco”, que a “família critica e não ajuda”, “que ninguém quer colaborar com ração” e outros eteceteras e tal. Faz dívidas e dá calote alegando que faz esse serviço de proteção animal e que “todos deveriam ajudar”. Novamente criam-se compromissos para os outros assumirem e pagarem a conta.
Cr & Ag
A natalidade está em queda constante entre as pessoas com maior discernimento, educação e bom senso. E não necessariamente pela situação econômica. Um amigo faz uma alegoria com natalidade consciente e “inconsciente”. -“Tem gente que parece que faz sexo dormindo” – acrescenta. E ainda se ouve o surrado e velho chavão: – “o filho é a alegria do pobre”. Como se filhos não fossem a alegria (e responsabilidade) de todos. Certamente não é nenhuma alegria ver filho passando necessidades, fome, doenças, depender de ajudas e bolsas de políticos, ser gado de curral eleitoral ou coisa pior. Mas alguém deverá pagar. E serão sempre os mesmos.
Sabem a origem da expressão do título? Lacaios que acompanhavam seus amos tiravam o chapéu em larga mesura em sua homenagem e alardeando os feitos e benesses de seus patrões ou senhores. O poder somente tira o chapéu para um poder maior. Vale a filosofia do saudoso “velho guerreiro” Chacrinha: – “Ajoelhou, tem que rezar”!
Convite – Missa para Waldeliro Antunes da Cunha pelo seu 3º. ano de falecimento. Dia 10 de Novembro às 18,30 horas na Igreja Matriz de Viamão.