Mambira! – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 04 Dezembro 2013

 

2013 – 12 – 06 Dezembro 2013 – Mambira – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Mambira! Serei mambira?

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ertamente os sobreviventes amigos e amigas que me acompanham nestas duas décadas (quase!) de coluna jornalística não estranham o termo usado no título. Os mais jovens devem estar indagando aos seus botões o que significa isso. Será algo relacionado ao mensalão? Ou ao inferno da poluição sonora em Viamão City? Antes que alguns percam suas unhas ou ataquem ao cronista, vamos esclarecer. Mambira é um termo usado no viamonês arcaico, ou seja, um tipo de dialeto desta região com raízes discutíveis e que significa: coisa de grosso, rude, brega, fora de moda, cafona, deselegante e por essas veredas. Sempre me encantei ao ouvir expressões e termos por vezes ressuscitados de um passado em que o tempo não andava na velocidade da fórmula um.

Cr & Ag

E, no melhor dos sentidos e dos cuidados, por vezes, somos confrontados com situações em que nos alertam para não sermos “mambiras”. Tenho uma filha com essa habilidade especial, desentoca, escava ao natural, como uma arqueóloga das palavras e usa-as para me orientar e balizar certos hábitos e comportamentos. Sabem aquela combinação de gravata, camisa e outros eteceteras, pois a maioria dos homens pega a primeira peça que aparece ao abrir o roupeiro. Eis aqui outro valor inestimável de se ter uma mulher que cuida de nós (homens!). Elas têm a sensibilidade e o senso da proporcionalidade e da beleza atualizada e que tranquilidade é chegar do banho e encontrar as roupas devidamente selecionadas e combinando só faltando vestir-se e… ganhar o mundo.

Cr & Ag

“Homem sem mulher não vale nada!” – dizia o Trovador dos Pampas. Mas toda a regra tem exceções. Inclusive esta. O que está na moda? O que é sempre atual? Há quem apregoe aos quatro ventos que “gosto não se discute”. Assim como religião e outros quetais. Inclusive quando não há gosto algum ou a realidade beira o eterno sucesso musical do “Samba do crioulo doido” (ou do afro-brasileiro insano, pelo besteirol). A doideira toma conta e com as novelas globais a embalar hábitos e maus costumes, a salada de frutas tende a azedar se a gente detiver alguns minutos dos sentidos ao mundo circundante. “Pô meu, que loucura!” – alfinetava um amigo num baile de alguma comenda mal encomendada.

 “Não há rico mambira, são excêntricos!” – dizia-me e acrescentava: “mulher só é feia quando grossa ou pobre de espírito”. Escutar amigos é beber da sabedoria próxima e sem custo algum. Há mambiras dissimulados, mas o espírito permanece leal a velhos hábitos e há quem pregue: “ser brega é chique por demais”. E para encerrar, a mambireza que me toca segue como “impávido colosso”.

Motoristas de taxi.

Um amigo viajado contava sobre os motoristas de táxi no Japão e suas luvas brancas como alma de anjo e vestuário impecável. Falou também dos motoristas de táxi e ônibus na Inglaterra que mesmo tendo muitos africanos, indianos e asiáticos em geral são adequadamente vestidos e educados. Citou local diametralmente oposto, inclusive em Nova Iorque. Refere ter sugerido a certo vereador que legislasse para aprimorar a conduta de boa educação e vestimentas adequadas dos taxistas viamonenses, pois refere haver casos em que algum motorista está totalmente fora de contexto. Acrescenta: “se o hábito não faz o monge, certamente ajuda a identificar e confiar”. Qual a sua visão do fato?

Mãos - negro e nêne

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