Uma viagem ao litoral – Especial de Verão e Férias – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 15 Janeiro 2014

 

2014 – 01 – 15 Janeiro – Uma viagem ao litoral – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Uma viagem ao litoral – Especial de Verão e Férias

E

stava um amigo sonhando em voz alta: – Verão, sol, praia, tangas e mais tangas, cerveja gelada…! – eis que outro interrompeu e arrematou irônico e de primeira, tipo centroavante matador: – E garotões malhados! – acredito que o malhado deve ser no aspecto musculoso e não na aparência de dálmata. Como há gosto e desgosto para tudo, segue o baile, digo, a crônica. Há quem prefira a decrepitude da idosa Cidreira às praias de muvuca como Quintão ou ao charme e à riqueza dos condomínios de Capão e Xangrilá. Há contentamentos realmente para todos. Mas para chegar ao destino turístico e tão ansiado há que vencer e sobreviver às estradas gaúchas.

Cr & Ag

Um gordinho de calça corsário e camiseta tricolor com a barriga teimando em fugir, suando à bicas, latinha de cerveja na mão e brabo como onça traída desacatou: – Agora que já mijaram, peidaram à vontade, podem embarcar. E tu aí velha (sogra) se vomitar de novo te deixo a pé na estrada. E sem cara feia, porque aqui quem paga tudo sou eu. – e embarcaram na viatura, um Monza Barcelona adesivado com som de acordar defunto. O frentista não sabia se ria ou chorava, mas diz ser “comum isso”. E convenhamos que gordinho tricolor de corsário com cerveja na mão e brabo tem que respeitar e deixar passar, pois ele vai ferrar alguém.

Cr & Ag

Se há coisas que ninguém pode queixar-se é da falta de bons restaurantes nesta ERS 040. O Barcelos e o Perdigão são muito bons e pode-se levar convidados que não se passa vergonha. Mas o pessoal abusa, tem criatura que encosta às 11,30 h e até às 15 h continua “mandando baixar mais um entrecot no capricho e outro pão com alho”. A tranqueira na estrada é irmã da indigestão e tem gente que no Capivari encosta a viatura no posto e manda passar “um jato d’água dentro – é que a sogra velha foi soltar um punzinho e desceu o barro. Um desarranjo mermão de juntar mosca varejeira…!” Tem viagem arrastando umas quatro horas dentro do veículo. E essas criaturas com os braços pendurados para fora, não é para sentir brisa do mar coisa nenhuma, é o fedor do interior sem ar condicionado.

Cr & Ag

E tem os motoqueiros kamikazes. Passam numa velocidade de deixar o Massa de boca aberta babando. “Deitam o cabelo” na gíria da raça. Muitas deitam o cabelo, as costelas, a barriga, as pernas e outros deitam tanto que não levantam mais. E levam junto de contrapeso a caronista de sapatinho plataforma, bermudas, óculos escuros e bolsinha à tiracolo. Talvez elas sirvam para testemunhar para São Pedro que o namoradito é um “cara legal, mas meio destrambelhado”.

Cr & Ag

Crônicas & Agudas entrevistou um surfista que saiu de “PoA meu” num Chevette e chegou no Pinhal de Kombi e sem a prancha. Com os olhos lacrimejantes e vermelhos de tanta fumaça que não era da poluição da estrada, contou seu drama. Depois de uma centena de “pô cara, sacou meu, bah e baaaah, pega leve meu” descobrimos que ele não tem nem ideia da sua prancha. E nem da “gatinha com a mochila”. Há informações que a viram entrar na cabine dupla de um coroa com jeitão de chefe. Outros juram que viram a criatura surfando no Lago da Tarumã com um vereador de caiaque. Aguardamos confirmações ou desmentidos. (Colaboração do repórter eventual e pré-candidato eleitoral o famoso Arigó do Centro)

Ballet

A fuga da rotina – Especial de Verão e Férias–Edson Olimpio Oliveira–Crônicas & Agudas – 08 Janeiro 2014

 

2014 – 01 – 08 Janeiro – A fuga da rotina – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

A fuga da rotina – Especial de Verão e Férias

“N

ão vejo a hora de me aposentar e pendurar as chuteiras. Não aguento mais essa rotina do trabalho.” – dizia-me um amigo. As pessoas trabalham a vida inteira mirando chegar aquele momento mágico em que não terá horário para acordar, para refeições, para sair e chegar. Enfim, fazer o que bem entender, fazer o que lhe der na telha. Isso é real, mas é verdadeiro? Ou o nosso inconsciente planeja e deseja algo diferente do que expressamos? Estamos naquele período do ano em que o gaúcho precisa urgentemente de férias. Há um sentimento coletivo de que as férias no Rio Grande do Sul são de final de dezembro até meio de março. Há gaúcho frustrado e querendo comer o fígado de alguém – como a secretária de educação do Colares, a Neusinha – se o obrigarem a férias em qualquer outro período do ano. Até parece bobagem, mas infelizmente não é.

Cr & Ag

Depois dessa pausa do parágrafo e um novo gole no chimarrão ou na cerveja gelada, convido-o para se perguntar: quero rotina ou o que quiser e quando quiser? Nossas engrenagens interiores nos levam sempre para a rotina. Algum tipo de rotina. Qualquer rotina, mas sempre várias. Se você é casado ou tem companhia fixa está numa rotina que para alguns é bela e para muitos outros é cruel “enquanto durar”. Mas se a criatura sai de um relacionamento, até pode passar algum tempo à deriva ou no tiroteio, mas invariavelmente quer uma nova companhia e reestabelecer a rotina. Seria a necessidade de menos imprevistos? Conhece-se o bom e a bronca e assim é mais fácil de lidar? Que te parece?

Cr & Ag

Usamos o mesmo caminho para ir e voltar. Gostamos do meu ou nosso restaurante. Idem do barzinho e nem se fala do Xis do Gordo. Toma-se a mesma marca de cerveja e “como é que alguém toma isso aí”. Temos um padrão para assar o churrasco. Ops, aí está a palavra chave – padrão. Repito – padrão. Necessitamos estar num padrão e não no modo aleatório. Até ser aleatório, como trocar de homem ou de mulher todo mês ou final de semana exerce o poder de um padrão. Está eriçado/a? Vamos em frente. A criatura fica fora do país e quando retorna sente que “quase morreu com saudades do feijão com arroz”. Tem criatura que indo residir fora do Rio Grande aprende a tomar chimarrão, usar pilcha, puxar no sotaque, gostar de ser reconhecido como gaúcho e até fazer um curso de danças de fandango. É a coisa mais linda do mundo ver a criatura picotando uma chula. Oiga le tche!

Cr & Ag

Veja como até os animais não humanos tem um padrão ou estabelecem rotinas em suas existências. Minha gata Neve vai para a beira da minha cama todas as manhãs exigindo que eu fique um tempo passando os pés em seu lombo e barriga. E carinhosamente esfrega-se com o corpo e a cabeça. É um ritual gostoso para nós dois. Tendemos a repetir aquilo que gostamos e até repetir os mesmos erros. É o caminho do aprendizado? – Eu não sou uma máquina pra tá sempre repetindo… – tisnava a voz aquela amiga. Somos máquinas sim. As máquinas melhor (ou até pior para certos conceitos) evoluídas da natureza e é justamente o desenvolvimento de rotinas ou de padrões persistindo a necessidade de mudança que nos fez evoluir e sair do marasmo físico e espiritual.

Cr & Ag

Especialistas em repetições, hábeis em evoluir padrões ao sentirem esgotar-se aquela atividade tendem a buscar, tendem a mirar, tendem a criar novas rotinas e novos padrões aperfeiçoados pela tentativa mesclando acertos e erros.

thumbnail

“Pilares da Medicina – A Construção da Medicina–por Dr. Carlos A. M Gottschall

 

Resenha do livro

“PILARES DA MEDICINA – A CONSTRUÇÃO DA MEDICINA

POR SEUS PIONEIROS”  CARLOS ANTONIO MASCIA GOTTSCHALL –editora ATHENEU

clip_image001

publicada na página 20 – PANORAMA

Da revista “CONVIVER” DA “UNICRED” PORTO ALEGRE ANO 4 NÚMERO 15 JULHO 2013

 

Pilares da Medicina, uma obra valiosa

                                                 Luiz Gustavo Guilhermano

Para que a afirmação de Edmund Pellegrino de que “A Medicina, é a mais humana das ciências, a mais empírica das artes e a mais científica das humanidades”, possa tornar-se verdadeira por completo, precisamos nós médicos tornarmo-nos merecedores da nobreza da nossa profissão. Assim, como formadores de jovens que desenvolvam esse espírito, é preciso ir muito além da indispensável boa formação técnica, faz-se necessária uma formação cultural continuada a respeito de humanidades, especialmente, que digam respeito a própria medicina.

Para isso foi-nos dada uma valiosa contribuição pelo Prof. Carlos Antônio Mascia Gottschall – Emérito Professor da Fundação Universitária de Cardiologia do Rio Grande do Sul, Livre-Docente em Cardiologia, Doutor em Medicina e Mestre em Pneumologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Membro Titular da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina, Membro Titular da Academia Nacional de Medicina e Presidente de Honra da Associação Gaúcha de História da Medicina- o qual lançou em 2009, pela Editora ATHENEU, uma obra de grande valor formativo, o livro “PILARES DA MEDICINA- A CONSTRUÇÃO DA MEDICINA E SEUS PIONEIROS”. Esse é um livro que além de interessar a toda área da saúde, da história e Ciências Sociais, também pode ser considerado um exemplar de cultura geral interessando a todo leitor independente da sua área de conhecimento. Além de seu conteúdo, resultado de muitos anos de pesquisa e reflexão deste qualificado autor, o livro tem uma apresentação primorosa, com uma bela encadernação e com ricas ilustrações, impresso em papel couchê fosco e com uma editoração muito cuidadosa, que fazem dele um registro histórico indispensável para figurar na biblioteca quer do médico veterano ou do jovem principiante que precisa aprender sobre a profissão médica. Perpassa pelo interessado em história da evolução da cultura humana, pelo médico experiente, pelo estudante de medicina que sentem a necessidade de ampliar e aprofundar seus conhecimentos sobre os caminhos da medicina, desde a concepção mágica da natureza, até a concepção tecnológica e científica atual. É, também, uma saudável recomendação para o jovem secundarista que está por tomar a decisão quanto a sua aspiração em concorrer a uma vaga no vestibular de Medicina.

Trata-se de um livro abrangente que trata de uma evolução cronológica da Medicina e da humanidade desde os tempos pré-históricos, até os dias atuais no início do século XXI, em 398 páginas divididas em 15 capítulos: I- Origens do Criador da Medicina, II- Origens da Medicina, III- Medicinas das Primeiras Civilizações, IV-A Filosofia Prepara o Terreno, V- Medicina Hipocrática, VI- A Medicina Grega Conquista o Mundo, VII- Medicina dos Santos, Califas e Cruzadas, VIII- Contágios Medievais, IX- A Vida Renasce, X- A Ciência Ilumina o Mundo, XI- A Medicina Absorve a Ciência, XII- O Iluminismo Esquece a Medicina, XIII- O Século XIX Origina a Medicina Atual, XIII- O Século XIX- Origina a Medicina Atual, XIV: A Emancipação da Medicina, XV- Ética, Medicina e Sociedade.      Tal como,  em publicações anteriores ou em suas brilhantes palestras ou ainda nos eventos tendo como tema a história da Medicina, por ele coordenados, o Prof. Gottschall nos brinda com informações valiosas e uma visão filosófica interpretando as situações à luz de um ponto de vista ético e humanístico, que ao invés de satisfazer por completo nossa ânsia de saber, nos contagia com uma curiosidade ainda maior, mas cumpre a missão de nos tornar uma melhor pessoa e um médico mais culto. Além do que, penso que aquele que passa a gostar de história da medicina não sentirá mais solidão pelo resto da vida, pois terá adquirido uma excelente companhia nos livros, filmes, revistas e sites que tratam desse assunto e amigos interessantíssimos sempre dispostos a compartilhar desse gosto.

LUIZ GUSTAVO GUILHERMANO

Professor Assistente do Depto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da PUCRS

Professor de Psicofarmacologia da Residência Médica e Pós-Graduação em Psiquiatria do Hospital São Lucas da PUCRS

Vice-Presidente da Associação Gaúcha de História da Medicina

Próxima Entradas mais recentes