2014 – 02 – 26 evereiro – Liturgia dos corpos em vida– Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Liturgia dos Corpos em Vida – Especial de Verão e Férias
"Nossos corpos são nossos jardins, nossas vontades são nossos jardineiros.”
– Our bodies are our gardens, to the which our wills are gardeners. "Othello", Scene X – por William Shakespeare.
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primavera já carrega os ares da liberdade, a ruptura dos grilhões do gélido inverno em que somente no interlúdio do aconchego íntimo e amoroso a nudez é consentida e idolatrada. No então, o verão é a plenitude da exposição e a necessidade de retorno ao útero e berço de toda a vida – o oceano. É nesta mágica conjunção de corpos e água que o resplendor da vida acontece em forma, cor e odor. A beleza transcende o detalhe e há tribos para todos os gostos e sintonias. Do estrógeno à testosterona. Do lúdico e platônico ao intenso e carnal. Da letargia do banho solar ao frêmito dos sentimentos que transbordam. É a magnitude formidável da vida usando todo o tempo fugaz dessa existência terrena.
Somos seres de contato e de amor tanto com nossos similares quanto com a natureza esplendorosa. Assim não há feio para perdoarmos ou aguilhoarmos, todos são belos dentro da sua essência e possibilidade de nossa humanidade. Justo, talvez, pela transitoriedade de nossos corpos e a certeza de seu ocaso exige-se, necessita-se da luz solar, da água, da brisa quente, do mar, a explosão da vida exposta em corpos com a mística da existência que transcende e logo ali no horizonte irá liberar sua alma para voos mais intensos.
Há garotos e garotas de Ipanema, da Cidreira e do Capão, de Camboriú ou de Punta dos pruridos da juventude em flor de polinização intensa aos prateados dos veteranos que saboreiam a vida com as nuances do vinho magnífico e único sorvido e degustado com o prazer das horas sem fim e longe, muito distante, do garrafão dos ébrios e aprendizes. A vida se ajusta no equilíbrio do ajuste constante entre os desiguais, cada um com seu universo e seus dons. Com suas alegrias e satisfações.
As correntes de pensamento se ajustam canalizadas pela ideologia da vida em plenitude, na liberdade de ter e usar, de ser ou de parecer, de enfeitar ou de despir. De exteriorizar o abraço trepidante com o beijo úmido de paixão. Novamente e sempre a mesma umidade dos sentimentos aflorados comparece com os fluidos da manutenção da existência e das novas gerações encubadas no amor ou nem tanto.
Transitamos pelas sombras e por tantas névoas, mas jamais deixamos de aspirar e de sermos seres de luz. Invariavelmente agradecemos a cada nova manhã, amamos o sol que nos aquece e transpiramos o agradecimento divino estarmos nessa terra tão maravilhosa que nos atura, suporta e ousa persistir em nos manter com a liturgia de corpos em vida.