2014 – 03 – 12 Março – O meu café – Parte 1 – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
O meu café – Parte 1
|
P |
oderíamos iniciar pela célebre frase: “há café e cafés”. Vou aproximá-lo do meu café, com respeito aos “cafés” contrários ou dissidentes. Até admiro quem gosta de cafés incrementados com chantili, licores estupefacientes e afrodisíacos, cafés italianos em máquinas somente italianas, cafés tirados com requintes de arte e verdadeiras obras primas de invulgar beleza estética. Admiro a arte detalhada em imagens pinceladas na espuma. Mais envoltórios, mais nos afastamos da essência original. Como apreciar a companhia e idealizar-se com ela pelo seu carro, por suas roupas ou por suas joias? E o sagrado conteúdo, o âmago da pessoa, sua essência vital iriam lhe transmitir o que?
Cr & Ag
Atribui-se a descoberta do café a um pastor etíope que observou suas cabras (ou carneiros?) comerem frutinhas de arbustos nas regiões montanhosas e quanto mais comiam, mais ativas ficavam. Experimentou o fruto e gostou. Um monge ao saber do fato, usou as frutinhas para conseguir orar longamente sem dormir ou cochilar. Algo assim é a lenda dessa bebida que se espalhou pelo mundo e sendo em grandes épocas a principal cultura brasileira de exportação. Épocas em que bebíamos aqui somente aquele café rejeitado pelos importadores e seriam descartados e jogados aos animais. Esse era o café do povo brasileiro que não tinha liberdade, poder aquisitivo, cultura e educação suficientes para escolher algo melhor.
Cr & Ag
Minha mãe Dora, exímia costureira, fazia sacos de café com tecidos diversos para colocar no bule e coar o café. Ela tinha marcas prediletas, tecidos preferenciais e técnica pessoal para passar o seu café. Havia a hora do café com leite de vaca (vaca mesmo!) e hora do café preto e todo um esquema do descarte do café usado (borra), lavar e secar o coador. E a magia de acordar pela manhã e ficar na cama sentindo o aroma do café sendo passado na cozinha. E ‘me fazendo de linguiça’ e rolando na cama, fazendo que ainda dormia para ser chamado pelo meu nome, lembrando-me da da escola e do banho (que dureza), mas terminando com o “café tá pronto”. E o café da avó Adiles em fogão de campanha com lenha acesa todo dia e o “leite recém tirado da teta da vaca” e em grandes canecas com canela em pó.
Cr & Ag
Eu e a gurizada do bairro do Cemitério e do Mendanha fazíamos cabanas imitando ocas de índios nos matos da vizinhança. Caçávamos preás, sabiás e pombas do mato. Cozinhávamos aipins e batatas-doces. Eram banquetes reais no imaginário de crianças de uma época em que se caminhava por toda Viamão sem nenhum perigo ou risco além das nossas próprias brincadeiras e arteirices. Época e lugar em que as crianças eram crianças sem estatutos. E fazíamos o café no fogo de chão ou sobre uma chapa de folha ou ferro. Quando a água do canecão fervia deitava-se colheradas de perfumado café. Aguardava-se um tempo e com um ferro em brasa ou um tição rubro fazíamos o café descer lentamente ao fundo do recipiente. Nessa hora mágica a gurizada largava as brincadeiras e vinham correndo atraídos pelo divino aroma. Distribuía-se nas canecas com o cuidado para o café permanecer em seu leito no fundo da lata ou canecão. (continua)
Pensamento Ofegante! – O que é que dorme com a filha, ama e vive com a mãe e morre com a avó? Resposta em http://www.edsonolimpio.com.br
Resposta: A maquiagem. Na mulher jovem dorme com ela após festas, baladas ou pela preguiça de uma correta limpeza de pele. Na mulher mais madura a maquiagem está plena. E adorna as feições da idosa em sua vida eterna.
Imagem de um gigantesco painel na Venezuela. Imagem fotografada por esse cronista.
Saudosa companheira de longas viagens – Morgana!