Motivação – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 02 Abril 2014

 

2014 – 04 – 02 Abril – Motivação – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Motivação

 

– Não tenho adrenalina para jogar aqui! – assim se manifestou o jogador de futebol argentino Scocco solicitando sair de Porto Alegre depois de ser contratado por vários milhares de dólares. Como traduzimos “adrenalina”? Seria a falta ou a carência do hormônio? Evidente que não. Traduzindo: motivação. E o que seria a motivação? A motivação é uma ou várias forças interiores da pessoa que o impelem numa certa direção. Poderia ser algo externo a motivação? Estímulos podem ser externos, mas a motivação é algo do interior de cada pessoa. Seria como a impressão digital de sua personalidade, de seu ego, de seu espírito ou outras denominações. Ou a pessoa tem ou não tem essa energia vital que alavanca a sua vida e até a vida da sociedade onde vive ou para onde se irradia. Confunde-se frequentemente com atitude. De novo no futebol, é comum jogadores explicarem insucessos pela “falta de atitude”. É correto quando significa que o modo de agir não foi adequado, mas em muitos falta a motivação que nem os elevados salários ativam ou acendem.

 

Cr & Ag

 

A motivação pode ser uma força positiva, ou melhor, direta ou ainda inversa ou indireta. No mesmo caso acima, o jogador Scocco sofreu e abalou-se com as manifestações do novo técnico do Internacional, mandando os ‘insatisfeitos’ embora e mostrando publicamente sua ‘paixão’ por outro jogador. Sua reação poderia ser: ‘vou mostrar para esse cara quem é o melhor e que eu me garanto’ ou abandonar o barco. Tomou o segundo caminho. Já o preferido que estava em crise existencial com a torcida e com seu futebol agiu diretamente com o prestígio: ‘sou guerreiro e vou mostrar que sou goleador aqui como já fui noutros clubes’.

 

Cr & Ag

 

A motivação também se manifesta de forma coletiva e pode ser ‘contagiosa’ ou impulsionadora de grupos ou da sociedade. Basta que estímulos sejam catalizadores dos mesmos sentimentos ou das mesmas emoções de outras pessoas. Lembra-se das Diretas Já? Uma reação em cadeia e direcionada. Em meados de 2013 novamente a sociedade brasileira buscou o palco das ruas para mostrar a face de jovens, de famílias, de todos os cidadãos que pacificamente numa bela liturgia democrática acendeu a chama da liberdade demonstrando a insatisfação e a revolta com a corrupção escancarada, com o mensalão, com a saúde enferma para quem não tem acesso ao primeiro mundo do Hospital Sírio Libanês, da justiça injusta e disseminadora da impunidade, da crescente insegurança pública e pessoal, da educação de má qualidade, dos impostos abusivos e mal aplicados e de tantas outras chagas que não aparecem com clareza na mídia governista ou nos ‘ibopes’ da vida brasileira de quase plena satisfação.

 

Cr & Ag

 

A motivação e a atitude do povo nas ruas não eram benéficas a quem? Reclamava-se de quem? Resposta direta: do governo, dos políticos e de certas instituições. Eis que surgiram os baderneiros, vândalos, black blocs que sem esse politicamente incorreto são criminosos. São bandidos. O povo ordeiro abandonou as ruas pela violência, a motivação foi sufocada pela violência consentida das autoridades e por segmentos da mídia. Agora é benéfico àqueles que foram alvo das manifestações – bom para o governo, políticos e outros. A impunidade é a marca registrada das instituições e governantes vassalos do poder. Haja motivação! Eis aí uma força de igual ou maior tamanho em sentido antagônico – a desmotivação. É o emparedamento da motivação justa, legal, ética e democrática. Pior! É o estrangulamento da esperança de dias melhores alicerçada na carência efetiva de lideranças que reflitam os anseios morais e éticos da sociedade consciente e a permanência da impunidade, da incompetência, da corrupção, da falsa governabilidade e das mentiras que se contestadas fazem dos contestadores seres antipatrióticos.

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Izabel Guerra – Monja espanhola

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Pintura de Izabel Guerra

 

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