M E M Ó R I A
Mendelski e outros Viamonenses! Publicado em 260899 – Jornal A Tribuna
Mendelski e outros viamonenses
O Rogério Mendelski foi um guri de Viamão como muitos de nós algum dia o foi. Em muitas crônicas, tentei ser o relator de memórias viamonenses que poderiam estar extraviadas em algum escaninho ou em algum baú perdido no sótão do tempo. Ele tem algumas características que o tornam especial. Conserva, apesar dos anos e da intensa atividade profissional, o espírito de guri viamonense. Ao relatar seu passado, ao relembrar episódios, fatos, linguajar típico de sua terra amada, ergue nosso ego tão sofrido e acabrunhado por desilusões para um patamar de luminosidade na névoa, na opacidade de incontáveis municípios do Rio Grande. Ao contrário de muitos que escondem sua origem, ele alardeia sua naturalidade.
Já me aconteceu algumas vezes, em viagens, ser inquirido sobre minha cidade, como certamente para muitos de vocês. Ao responder que sou de Viamão, escutei: — Ah! A terra do Mendelski da Gaúcha. Ou: – Até já fui olhar no mapa onde fica essa Viamão do Mendelski do rádio. Pode até não ser fundamental, mas que é muito bom, ah, certamente, que é. Numa época que é mais fácil lembrar-se do que não se faz, é feliz ter alguém que ao seu modo faz algo. Tire a lembrança de alguém e o despirá de seu futuro. Com lembranças vem a simpatia, o entendimento e o amor.
Seu pai, o ilustre Oswaldo Mendelski, foi companheiro de caçadas de meus tios e de meu pai. Exímio atirador. Dotado de pontaria invejável e de extrema confiabilidade para fornecer munições aos amigos. Já que carregava os cartuchos com rigor cirúrgico. Talvez daí venha sua pontaria e rapidez no gatilho. E também alguns dissabores da vida. Só terá contrariedades quem emite opiniões. Da mesma forma a opinião é importante na extensão direta do assunto. Mas é o seu ofício. Nobre e delicado ofício em que nem sempre a reflexão exaustiva é possível. Escritores sofrem muitas dessas dificuldades. O jornalista-radialista sofrerá muito mais.
Para uma mãe é fundamental que seus filhos continuem seus. E para isso é preciso que os filhos lembrem-se de suas mães e para elas sempre dirijam seus pensamentos, lembranças, emoções e o melhor de seu esforço. Viamão é a nossa nobre mãe natural ou por opção. Como filhos devemos nos perguntar de que nossa mãe está precisando. Cada um ao seu modo e forma. E de algum modo será premiado ao contribuir para a felicidade de Viamão. E se para uma mãe todos os filhos são iguais, estimulemos para que os viamonenses continuem vinculados a Viamão.
Sabemos de algum desconforto que seus nobres pais ou demais familiares podem ser acometidos pela sombra que um filho ilustre pode projetar com sua personalidade e profissão. Mas saibam que é o pensamento de muitos de nós o sentimento de respeito e admiração por vê-lo um viamonense de coragem. E um combatente ardoroso de seus princípios como muitos amigos de diversas ideologias. Mas todos com um traço, um perfil, uma característica, um elo, um cordão umbilical a uni-los: Viamonenses!
E como precisamos de Souzas, Machados, Magdalenas, Veigas, Fragas como Mendelski, e muitas outras etnias diversas, coração único e pulsar em sincronismo por nossa querida Viamão!
Observação: Atualmente o nobre jornalista Rogerio Vaz Mendelski está na Rádio Guaíba sendo sempre a nossa companhia ao acordar e iniciar nova jornada diária.