O poder da Culpa – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 13 Maio 2014

2014 – 05 – 13 Maio – O poder da Culpa – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

O poder da Culpa

 

O

 Filósofo do Apocalipse prega que “a generalização é a filha bastarda da burrice e do corporativismo”. O sentimento de culpa é indissociável do ser humano e é do seu equilíbrio que depende a saúde mental, física e espiritual das pessoas. Ensinam-nos que Adão e Eva, os pais primordiais, foram expulsos do Éden pelo seu pecado quebrando assim a aliança da unidade do Criador com a humanidade. Culpa e punição. Teriam todas as dores e sofrimentos da vida, assim como conheceriam a morte no devido tempo ou fora dele. Muito frequente nas minhas aulas de religião: “nascíamos do pecado e carregávamos o pecado original”. E assim a máquina de pecar estava azeitada e pronta para todas as incriminações possíveis e até as impossíveis. Há verdades inalienáveis ao ser humano e para essas não precisaríamos da religião ou mestres para o entendimento do certo e do errado.

 

Cr & Ag

 

Os templos enchem-se de pecadores, de pessoas que precisam expiar suas culpas, pois somente com a expiação dolorosa poderemos aspirar ao retorno à unidade celestial com o Criador. E quantos compram seu lugar no Paraíso? Há o lado positivo de colocar a criatura nos eixos e torná-la mais digna e “humana” com seus pares e com a vida. Deus Filho fez-se homem para expiar pelas culpas da humanidade e seus ensinamentos de pouquíssimos anos orientam, balizam, servem de rumo e farol através dos tempos. Ensinam-nos que as enfermidades e moléstias de toda sorte ou azar que nos afligem são por nossa falta de merecimento e por nossa culpa. Eis que também os consultórios e divãs de terapeutas estão com filas para o resgate da culpa, seja ela desta ou de outras vidas. Nossas culpas ou de outrem.

 

Cr & Ag

 

E são incontáveis aqueles que não expiaram o suficiente, não se iluminaram o bastante ou não alcançaram o necessário entendimento para uma evolução necessária. E o plano terrestre, o umbral, o purgatório ou o inferno estão atopetados de culpa. Algumas eternas quando seu proprietário é empedernido o suficiente para não evoluir no amor e na dignidade. E o homem vem singrando os séculos e as terras do planeta ou de outros planos existenciais, etéreos para nós, buscando ídolos, deuses, mestres para ensiná-lo. No entanto, o Criador dotou-nos de uma linguagem universal. Sabe qual? Não é o esperanto, nem o inglês e muito menos o chinês. É a linguagem que foi aprimorada e incentivada a evoluir com a queda de Babel – a linguagem corporal. Nosso corpo fala o tempo todo conosco e facilita a nossa comunicação com tudo a nossa volta. Tanto pela mímica primária, pela simbologia de gestos como pelo suor de nossa fronte, pela diarreia de nosso intestino, como pela dor no peito.

 

Cr & Ag

 

Apesar de não notarmos adequadamente o Criador dotou-nos de um mestre sempre presente. Esse mestre é o nosso corpo. Ele está para nos ensinar e não somente como casca ou casulo temporário de uma alma imortal. É ele que tem o toque da luz e o espectro das sombras permanentemente ao nosso dispor. E quão difícil é entender e aceitar esse mestre, pois nos parece ser mais fácil buscar as verdades nos outros ou lá fora. Essa também é a estratégia de governantes que além de escalpelar-nos com impostos abusivos, usam de extrema criatividade para “pela culpa coletiva” de ancestrais a impingir-nos novos e crescentes métodos de espoliação e sangria. E muitos ainda acreditam que é nossa total obrigação responsabilizar-nos pelos outros e pelo passado remoto. Há que mudarmos nosso entendimento, pois as vítimas seremos nós ou “malditos até a sétima geração” se persistirmos subindo no cadafalso com o nosso consentimento. Pelos depoimentos do cacique, os “índios” que assassinaram brutalmente os dois irmãos com tiros, pedras e pauladas não conhecem a culpa que nos obrigam a sentir.

Amor perdido

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