Fibromialgia: procurar o médico é o melhor remédio
Considerada o quinto sinal vital do corpo humano, a dor pode ser um forte indício do aparecimento da fibromialgia, síndrome que acomete 2,5% da população brasileira. Uma dor crônica, difusa e generalizada por todo o corpo é um dos principais sintomas. Como ela pode indicar também várias outras doenças, é indispensável o acompanhamento médico para uma investigação detalhada, a fim de afastar outras hipóteses e iniciar o tratamento adequado, o quanto antes, para melhorar a dor e também manter a qualidade de vida do paciente.
Por não existir um método específico para a identificação da fibromialgia, o médico geralmente se direciona pelas queixas de dor dos pacientes e pelo exame físico realizado em consultório. Também são aliados no diagnóstico os exames complementares de sangue e de imagem, que auxiliam o raciocínio clínico para excluir outras doenças.
Estudos mais recentes demonstram que a termografia por infravermelho, uma fotografia térmica em que o paciente é fotografado sem roupa com infravermelho, pode colaborar na identificação da síndrome. O procedimento permite quantificar a temperatura de partes do corpo e destaca o paciente com fibromialgia, uma vez que este possui regiões corporais, como tronco alto e ombro, mais quentes do que as pessoas que não têm esta síndrome.
Também existem outros exames de diagnóstico que podem auxiliar o médico na avaliação clínica, como a estimulação magnética transcraniana, que verifica a transferência de informação que ocorre nas células nervosas que estão no córtex cerebral. “Esses procedimentos, assim como as tomografias, ressonâncias e raios X não formam o diagnóstico, mas dão um suporte ao médico, documentando o estado do paciente”, explica a fisiatra Lin Yeng, Coordenadora do Grupo de Dor do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HCFMUSP.
Depois do diagnóstico correto, que normalmente é feito pelo clínico geral, fisiatra, reumatologista e neurologista, o paciente precisa entender sua condição e colaborar ativamente com os tratamentos. “Esse indivíduo necessitará de um programa de reabilitação físico e metal e o médico tem um papel importante no gerenciamento dos tratamentos como um todo”, aponta Lin.
A médica alerta para a necessidade de uma investigação detalhada da vida dos pacientes, que permita avaliar o indivíduo como um todo: rotinas, hábitos, postura, ambiente de trabalho, alimentação, hidratação e sono. “A análise de todos esses fatores podem contribuir para um diagnóstico mais preciso dos fatores de melhora, piora e perpetuante das dores”, pondera.
O tratamento farmacológico associado ao não farmacológico (exercícios, hidroterapia, massagens, relaxamentos, entre outros) pode apresentar os melhores resultados. “Quanto menos exercícios o paciente fizer, pior será a qualidade de vida dele”, conclui.
Tratamento farmacológico
De acordo com Lin, hoje as pessoas com fibromialgia podem ser tratadas por uma vasta gama de medicamentos como os antidepressivos (tricíclicos e duais), que atuam melhorando a utilização da serotonina e noradrenalina pelo sistema nervoso central; miorelaxante de ação central; agonistas dopaminérgicos; analgésicos do grupo opiólde; analgésicos simples; anticonvulsivantes, entre outros. “O tratamento farmacológico varia de acordo com os sintomas e a tolerância do paciente, podendo ter associação de fármacos de diferentes classes”.
Na classe dos neuromoduladores anticonvulsivantes, encontra-se a pregabalina, que diminui a liberação de neurotransmissores que pioram a dor, reduzindo o excesso de mensagens de dor transmitidas dos nervos para o cérebro. Além disso, como efeitos adicionais, reduz a ansiedade e melhora a qualidade do sono dos pacientes