2014 – 05 – 27 Maio – Entre cães e cavalos – as lições esquecidas! – 1 – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Entre cães e cavalos – as lições esquecidas! – 1ª. Parte/2
|
A |
tradição oral, as conversas à beira de uma fogueira desde tempos imemoráveis, os ensinamentos passados dos mais velhos e veteranos aos mais novos, dos mestres aos alunos têm seus tempos contados e nas grandes comunidades caminha a passos largos para o descrédito e ao esquecimento. Jamais se escreveu tanto e publicou-se tamanha montanha de livros e revistas, no entanto o aproveitamento desses enormes conteúdos se volatilizam na transitoriedade da internet. A frugalidade dos relacionamentos se espelha no desdém dos milenares ensinamentos. Numa aula de ilustre mestre e pesquisador, a turma de médico, cirurgiã-dentista e psicólogos tratavam das escolhas das pessoas em relação as suas casas ou moradias. Complementando trouxemos a tradição daqueles homens que desbravaram o território rigoroso da antiga província de São Pedro, atual Rio Grande do Sul e de suas habilidades quase esquecidas e as relações com os cães e os cavalos.
Cr & Ag
Achados arqueológicos sugerem que o gato está 10 mil anos atrasado em seu contato com os humanos. Quando o gato aproximou-se do homem primitivo encontrou o cão como seu amigo e companheiro e que não aceitou essa intromissão e o ciúme tornou-os inimigos. Ao gato coube a casa e… os ratos, o afago das mulheres e o sono descompromissado com a guarda e com a caça. O cavalo é em todas as etnias um companheiro do homem. Os índios da América logo conquistaram e cultivaram um relacionamento magnífico com o cavalo, dos comanches do Norte aos charruas do Sul. Das distâncias vencidas com maior agilidade e rapidez, dos novos territórios de caça à guerra, ali cavalo e cão são os parceiros do homem e a história é pródiga em narrar os feitos épicos. Cavalo e cão nunca disputaram o espaço nas terras, na casa ou no coração do homem. É fantástica a cena do homem trotando o corcel com o cão abrigando-se do sol ou da chuva na sombra do cavalo, inclusive entre suas pernas numa incrível harmonia de movimentos.
Cr & Ag
Em condições adversas como numa noite em breu absoluto, numa tormenta, cavaleiro ferido ou perdido, evitando uma tocaia criminosa ou de um animal, encontrando água no deserto está o cavalo conduzindo seu cavaleiro à segurança. O cavalo árabe com mais de 5 mil anos de intensa vivência com o homem é um soberbo exemplo. A mística confunde-o com o Bem no cavalo de São Jorge contra o demoníaco dragão. Ou com o Mal nos Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Acredita-se que o garboso cavalo montado por Bento Gonçalves na estátua defronte o Colégio Júlio de Castilhos em Porto Alegre, seja um árabe. A cauda elevada e a cabeça pequena em aparência elegante e nobre remetem ao cavalo árabe, mas documentos históricos datam da segunda década do século passado os primeiros registros do cavalo árabe no Rio Grande do Sul. Uma curiosidade: a bela cauda erguida como a batuta de solene maestro deve-se a ausência de uma das vértebras de sua coluna espinhal.
Cr & Ag
Creditam-se aos germânicos grandes desenvolvimentos em novas raças caninas, assim como na preservação da pureza de outras raças. O maior poeta italiano de todos os tempos e um dos maiores da humanidade, Dante Alighieri em sua célebre obra A Divina Comédia em que trata de sua viagem ao Inferno, Purgatório e Paraíso acompanhado do poeta romano Virgílio e de sua amada platonicamente Beatriz menciona os cães guardiões dos portões do Hades ou Inferno. Esses cães seriam os Rottweiler, nome devido terem sido encontrados ainda puros na região alemã de Rottweil. Esses cães eram usados pelas legiões romanas em seus três portes diferentes. Os pequenos para alerta e manter os acampamentos limpos, principalmente de outros animais invasores. Os cães de porte avantajado eram usados como animais de carga e os de porte médio para guarda pessoal e para os combates nas ferozes batalhas. (Nota do Edson: o tema continua na próxima semana, na coluna seguinte. Aguardem!)
Qual a origem deste cão ou de seu dono?