2014 – 07 – 22 Julho – A pátria de ferraduras – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
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A pátria de ferraduras
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que procuramos no futebol é o drama, é a tragédia, é o horror, é a compaixão”. – Nelson Rodrigues. Quando o presidente Lula usou ofensivamente o termo “complexo de vira-lata”, lembrei-me do “anjo pornográfico”, um dos epítetos do mestre Nelson Rodrigues. Em outra ocasião a presidente Dilma usou o mesmo termo rebatendo acusações e queixas de Ronaldo Fenômeno. A derrota no chamado Maracanazo em 1950 repetiu-se em progressão geométrica com o Mineirazo. A derrota contra a Holanda fazendo a soma chegar aos dez golos em dois jogos é a rubrica final de um desastre sem precedentes na história do futebol brasileiro e mundial nas circunstâncias em que aconteceu. Algo assim deve sair das quatro linhas do campo de futebol, dos alambrados, dos estádios superfaturados, das estruturas temporárias ou complementares e das infraestruturas sempre prometidas e raramente concretizadas.
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E foi com Nelson Rodrigues, o reacionário emérito, que recordei outra de suas pérolas literárias e também complementares – “a pátria de chuteiras”. A derrota humilhante no campo esportivo deve ser levada para análise e comparações de dois povos. O povo dos “vira-latas” e o outro, os germânicos. Entre a estadista Angela Merkel e a “presidenta” Dilma Rousseff. Entre o “jeitinho brasileiro” e a eterna síndrome do malandro e o trabalho duro e persistente. Os quase quarenta ministérios e o famigerado pacto pela governabilidade que tanto mal e asco nos causa por sua sórdida realidade de compadrio perverso ao “vira-lata” que trabalha, estuda, viaja precariamente, vampirizado por impostos malditos, de tantos políticos corruptos e incompetentes, de eleitores vassalos e outras anomalias nacionais estende-se a federação brasileira de futebol em simetria odiosa noticiada pela imprensa livre.
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Assim gestou-se “a pátria de ferraduras”, que como cantava sabiamente Zé Ramalho em O meu país – “este não é o meu país”. Somos da legião que não é “vira-lata lulista” e não vive nessa “pátria de ferraduras” em que o mérito de estudar e trabalhar e de ser honesto é somente para utilidade desses aproveitadores que todos identificamos e muitos ainda aceitam. Assim como tentamos sucessivamente identificar as exceções. A educação deficiente em número e qualidade solda as correntes que amarra nosso povo. As vantagens populistas criam o caldo de cultura para que aboletados em entidades ditas de classe vivam do trabalho alheio e se intitulem trabalhadores. Fermento para “passar de ano” mentirosamente nas escolas e “rodar” nos concursos da vida real que exigem preparo e conhecimentos básicos. Acabaram com os professores e com os mestres substituindo-os por “trabalhadores em educação”, para que nada ensinem e ninguém aprenda?
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Bandidos e criminosos estão em qualquer sociedade e país, diferem pelo temor de infringir as leis e a certeza de sua punibilidade. “Até a Argentina tem prêmio Nobel! A Alemanha tem uma centena de Nobel!” – dizia uma professora livre e independente. E completava: – E o Brasil quantos? Nenhum! Serve como parâmetro para alguma comparação de civilização? A Coreia do Sul segue comparando seu povo com os outros melhor sucedidos e seu povo e sua indústria espelham no progresso crescente seus resultados. Acreditamos que “Deus é brasileiro” e “somos o melhor povo da terra”, no entanto, o Criador exige merecimento de seus filhos para que colham os frutos do seu trabalho e a terra seja próspera e feliz. Uma parábola! A pessoa sentada sobre a chapa fervente de um fogão sentia-se queimar, cheirando carne queimada, quando se chegou um menino e perguntou-lhe: – por que não sai daí? Por que não troca…? Ao que o queimado respondeu: – mas será que aí está melhor ou vai ser igual? E o menino: – Aí sabe que vai queimar e torrar e aqui…