Novembro 19-2006 – Letras de Sangue – Poema – Edson Olimpio.
Letras de Sangue!
Por Edson Olimpio Silva de Oliveira
I
Sombras! Sombras de dor e morte rondam uma alma dilacerada.
Sombras! Sombras sussurram e agulham um coração gemente.
Sombras! Sombras ecoam palavras de ódio dela, minha amada.
Sombras! Sombras riscam na névoa torporosa um espírito plangente!
II
Ah! Como sempre te amei vibrando cada fibra do meu ser.
Ah! Ainda ouço teus risos iluminando presentes desejados.
Ah! Como sempre busquei satisfazer todos teus anseios.
Ah! Ainda ouço teu pranto e pérolas ardentes de teus olhos rolados.
Ah! Como sempre sepultei minh’alma para sempre te ter.
Ah! Ainda ouço o batuque num peito sofrido de amores alheios!
III
Amor! Amaste quem não te queria, num ciclo sem fim.
Amor! Buscaste prazer e luxo em leitos de cetim.
Amor! Amaste palavras vazias e carinhos pérfidos.
Amor! Buscaste companhia em corações perdidos!
IV
Rosas! Rosas rubras, perfeitas, perfumadas com o hálito do amor.
Espinhos! Espinhos coroam a beleza, mas tocados – vem a dor.
Rosas! Rosas brancas querem refletir pureza da alma apaixonada.
Espinhos! Espinhos são pensamentos, palavras, gestos tormentosos.
Rosas! Rosas douradas pelo sol da devoção que anseiam amor – mais nada.
Espinhos! Espinhos escrevem com tinta de rubis pranteados e dolorosos!
V
Sangue! Sangue é vida, é luz, é eternidade – recusaste!
Sangue! Sangue derramado de meus lábios e vertidos em escrita – recitei!
Sangue! Sangue que trocaste por mentiras e enganoso amor – encontraste!
Sangue! Sangue neste poema de letras escarlates – um dia muito te amei!