2014 – 08 – 26 Agosto – Vai faltar defunto – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Vai faltar defunto
Todos são amigos. Todos conviveram com o pernambucano Eduardo Campos tragicamente falecido. Todos compartilham de suas ideias e de seus ideais. E por aí segue o cortejo da falsidade e da entronização da canalhice. O tricolor porto-alegrense venderá sucatas de seu finado gramado e estádio de futebol – uma suposta relíquia que renderá milhares de reais ao clube. Imaginem, com essa onda de lotear, rifar e leiloar pela internet qualquer coisa se fizesse o mesmo com os despojos de importantes e significativas pessoas? É do contexto que morto é pessoa dotada das qualidades luminosas e até da ausência dos piores defeitos nesse BraZil de criminosos idolatrados, daí vem o uso de seus nomes em estradas, aeroportos e assemelhados.
Cr & Ag
E vai piorar, pois essa enfermidade ética, essas distorções morais estão expressas naquele mesmo manual de que “tudo vale na política e no amor”. Amor ao poder, certamente. É o manual da governabilidade e do toma lá e dá cá, recheado de ministérios e secretarias na pérfida orquestração do poder a qualquer preço e condição. E vai piorar a medida que os dias encurtam o prazo do voto na urna suspeita. Suspeita? Imagine, temos o mais perfeito sistema de votação do planeta. E quem discordar é “impatriota e contra o BraZil”. Na democracia americana o pessoal mete bala às claras nos candidatos e presidentes, mas no BraZil as criaturas morrem de desastres de carro, avião, helicóptero, pela via curta do suicídio ou do coração. Ou natural ou pelas leis da vida. Somos mais civilizados que eles!
Cr & Ag
Acreditamos demais no sobrenatural de almeida, temos fé excessiva no astral da silva e o pensamento mágico, como a eleição do Collor, tende a repetir-se. Aposta-se em quem não fez e sabe-se que não fará. Acredita-se que do nada sairá o futuro grandioso de um povo rico, num país rico, de pouco trabalho e de muito futebol sem os 7×1 e os estupros e estelionatos eleitorais. Acredita-se num país em que estudar e trabalhar é coisa de mané e que patrão é o demônio com chifres disfarçados. Acredita-se que os criminosos jamais devam ser presos e se algum dia forem condenados, aparecerá algum jornalista oligofrênico nota dez, para abrir a bocarra aos sete ventos anunciando a sua prisão de trocentos anos, numa terra com S ou Z de pena máxima de trinta anos que somente os abandonados pelo capeta e pelos partidos, pelas ideologias ou pelos direitos (des)humanos farão cumprir-se. “Ooops! 1/6 da pena Edinho!” – alfineta o amigo leitor.
Cr & Ag
É a pátria do futebol e dos herdeiros políticos. E como tem herdeiros! Isso é próprio do populismo de havaianas e charuto Havana entre os dedos. Conhece o pessoal que trabalha mais de cinco meses por ano somente para bancar esse desgoverno e as falcatruas escancaradas e mascaradas de lapsos de competência ou que “era excelente negócio naquele momento”? E o exemplo de Pasadena é a ponta do grafite nesse mega lápis de pau-brasil. Onde não sei e não vi ou nunca escutei nada é a defesa suprema e aceita. Caindo de Maduro tem as Chaves certas e incertas da ditadura e do populismo que é apoiado pelo desgoverno do BraZil. Imitamos ao pior, como crianças que apesar dos conselhos paternos e dos evidentes descaminhos, escolhem andar e acolher e copiar o ruim.
Cr & Ag
Muitos leitores não gostam, alguns odeiam, outros se sentem nauseados e tem ojeriza pela política nacional e pedem que o cronista faça seus textos fora disso. Mas como evitar?