2014 – 09 – 23 SETEMBRO – Orgulho e Vergonha – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Orgulho e vergonha
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uase tudo é uma questão de medida. O remédio tem a dose curativa e alguns até a dose fatal. Há também aquela dose que não fede nem cheira, sem qualquer efeito real. Assim são com nossas emoções e com nossos sentimentos. Devemos buscar o equilíbrio seja na balança da deusa Themis, ou nos sentimentos, ou na vida em qualquer cenário. O orgulho é visto com uma aureola pecaminosa, mas nem sempre deve ser assim. O orgulho é uma das manifestações mais humanas. Real e estimulante. Sentimos orgulho quando nosso time vence ou sagra-se campeão. Orgulhamo-nos de nossas origens, do pampa gaúcho e das nossas tradições. Orgulho aflora nas vitórias da pessoa, da família ou da pátria. O orgulho se verte em lágrimas e na voz embargada quando um Ayrton Senna ou um Pelé é vencedor e ali sentimos como sendo cada um de nós. O orgulho anabolizado, excessivo, exacerbado transmuta-se naquilo odiosamente entendido como soberba. A soberba embrutece o coração e ensombrece a alma de seu portador.
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O orgulho é primário. A vergonha é secundária. Tanto no vocabulário a letra “o” antecede a letra “v” como na vida. Alguém acometido de vergonha dificilmente sentirá um orgulho pleno e sem culpa. A vergonha tende a espreitar os caminhos, evita exteriorizar-se à luz do dia, fica no subterrâneo existencial da alma. O torcedor dessa “pátria de chuteiras” evita sair com a camiseta do seu time após uma goleada ou outro resultado constrangedor. Vários até sonegam serem torcedores do time tal. Desviam do assunto futebol e embarcam em qualquer outra canoa menos furada que a sua.
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Proponho um singelo exercício – você tem uma pessoa muito íntima e descobre que ela é criminosa, igual aos outros criminosos. Continuará sentindo orgulho daquela criatura? Ou vergonha? Mesmo naqueles casos que a força do “amor” empurre-o para incontáveis justificativas para explicar, referendar ou atenuar seus crimes, qual seria a sua atitude? Agora se transfira para a política brasileira. Um brilhante advogado observou que certas siglas partidárias não mais ostentam no peito e empunham bandeiras com a graça e a liberdade orgulhosa de outros tempos. É uma realidade. Até o presente, políticos consagrados pelo voto e por seguidores de suas promessas não tem a mesma exposição. Teriam vergonha de suas legendas partidárias? Ou o orgulho em alto e notável sonoridade ao dizer-se “sou de tal partido”. Onde estão? “Tão tudo mocozado por aí!” – entrega um conhecido mecânico.
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Getúlio Vargas, Juscelino, Jango, Brizola, os presidentes da ditadura militar e muitos outros trazem a marca da simpatia ou da antipatia por seu governo ou ideologia, nunca pela honestidade e do maremoto de escândalos e de corrupção. Tudo que fizeram, fazem e farão em prol do socialismo/comunismo no Brasil e nada do gênero descoberto e provado com os presidentes da ditadura. Realidade. Governos que privilegiam a desonestidade, que premiam a criminalidade e castigam o brasileiro e a brasileira que entregaram vidas de trabalho e contribuições para a previdência oficial. Esses brasileiros têm seus desmilinguidos proventos de aposentadoria diminuir ano a ano além de ser extorquido pelo “fator previdenciário” no ato funesto de aposentar-se. Para muitos é impraticável retirar a cangalha do pescoço. Vários pela ideologia, outros pelos cargos de confiança ou aboletados pelo poder. Infelizmente nem todos sentem o odor fétido do seu mau hálito, do chulé ou da bunda suja apesar de transformarem a vida dos outros a sua volta num inferno. Quem negocia e pactua com coisa-ruim cheira a enxofre. Há que acredite que pactuar com o diabo ou aceitar suas regras é “normal, todos fazem, ou vale pela governabilidade”.