Profissões em extinção – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 12 Agosto 2014

 

2014 – 08 – 12 Agosto – Profissões em extinção – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Profissões em extinção

 

Na minha infância e juventude Viamão dispunha de várias e eficientes costureiras ou modistas como também eram designadas. E minha saudosa mãe Dora foi a melhor e mais conceituada delas para roupas femininas. Sim, esse detalhe era real – costureiras para homens e mulheres ou somente para um sexo. Algumas especializadas em certas roupas, como as gauchescas, as de casamento e até as de enterro. Os alfaiates sempre foram em menor número. Poucas lojas dispunham de roupas, destacavam-se A Quitandinha do Jacob Dubin, a Casa Veiga dos irmãos Carlos e Djalma e algumas roupas menores e armarinhos no querido Seu Etel Nunes.

 

Cr & Ag

 

Logo os viamonenses desbravaram e apreciaram a variedade, preço e qualidade das lojas de Porto Alegre, como Renner e Guaspari ou as ModasTabajara (e a dona Zilda). Em todo roupeiro havia roupas de trabalho e de festa. Fazia-se enorme esforço para no casamento usar um terno feito por alfaiate qualificado. E as mulheres casavam com vestidos belíssimos feitos exclusivamente para elas e que guardariam para os demais anos da sua vida e nos melhores sonhos ser usado pela filha dileta ou pela neta. Os clientes identificavam-se com os lojistas (donos) e seus vendedores.

 

Cr & Ag

 

Mascates! Havia um árabe numa camionete antiga e depois numa Vemaguete – lembra-se da DKW? – que trazia roupas femininas, algumas masculinas, como as camisas Volta ao Mundo e gravatas, roupas de cama e até “ouro”, como algumas joias e relógios. Na época certa do mês lá estava ele na nossa rua e as mulheres e crianças em torno do veículo numa curiosidade e encantamento similar ao que o cego sentiu ao ver a luz. Anotava na caderneta e pagava-se em prestações quase eternas, pois as compras se repetiriam. Menos ao caloteiro.

 

Cr & Ag

 

Caloteiros! Havia uma classe especial de cobradores de alguma empresa de Porto Alegre – os Homens de Vermelho! Não que fossem todos colorados, mas usavam roupa completa toda vermelha. Imaginem a situação de uma criatura toda de vermelho batendo à tua porta, numa época em que todos se conheciam e cuidavam das vidas dos outros. Muita bala e faca correram nessas cobranças. Os caloteiros profissionais é um desses “ofícios” que prospera no brasilzão padrão FIFA.

 

Cr & Ag

 

O saudoso Delfino Vieira de Aguiar, grande caçador de marrecão era guarda-fios do telégrafo. Muitos nem sabem o que é telégrafo. Outro amigo do seu Aldo, meu pai, trabalhava com couro cru (Reni Correeiro) fazendo peças que encantavam por sua qualidade, beleza e funcionalidade. Na capital ainda havia alguns Cubeiros. Não que fossem de Cuba, certamente nem a conheciam, mas encarregavam-se de retirar das residências, carregando às costas somente protegidos por uma capa de couro, cubos de madeira com os dejetos das pessoas. Não havia esgotos nas casas e aquelas que não dispunham de pátio para o poço negro ou algum lugar para jogar os penicos lotados… Os pais mostravam aos filhos aqueles homens e orientavam-nos a valorizar o estudo e buscar um trabalho menos penoso.

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