Gaspar Silveira Martins e Júlio Prates de Castilhos: lados opostos.
O CORONEL CHIMANGO III
Acrysio viveu a passagem do Império à República e sintetizou a unidade
entre os Andrade e os Prates
ACRYSIO PRATES FOI O HERDEIRO DE DUAS FORTUNAS POLÍTICAS: DOS ANDRADE E DOS PRATES. ALÉM DO TIO FIRMINO PRATES, COM QUEM ESTEVE AO LADO NA REVOLUÇÃO FEDERALISTA, ELE LEGOU AS RELAÇÕES EXPANDIDAS DOS VIAMONENSES CRESCÊNCIO DE ANDRADE E CORONEL MARCOS DE ANDRADE, AS MAIORES LIDERANÇAS DO PARTIDO CONSERVADOR DO PERÍODO IMPERIAL EM VIAMÃO, E DOS REPUBLICANOS DO PRR. ELE ERA UM PRATES, COMO JULIO DE CASTILHOS TAMBÉM ERA, E SE CASOU COM CARMELITA, IRMÃ DOS IRMÃOS ANDRADE.
O fim do período Imperial foi marcado por grande pressão política de parte dos estancieiros do sul e de toda a elite agrária brasileira, em decorrência especialmente da abolição da escravatura (1888) e da queda na safra das lavouras (Carone, 1971; Janotti, 1981). Em decorrência disso, “o Império procurava então recompor sua base de apoio recorrendo aos liberais”.¹ Havia dois partidos: o Conservador, incomodado com a crise; e o Liberal, que anteriormente era o grupo mais crítico, mas que nessa ocasião está mais próximo do Imperador, especialmente após a composição do Gabinete do Visconde de Ouro Preto, a última cartada da monarquia, que apostava no parlamentarismo. As novas propostas incluíam o fortalecimento das Assembléias Legislativas e maior autonomia aos municípios.
No Rio Grande do Sul, a política fervilhava. Os liberais, liderados por Gaspar Silveira Martins, nomeado para a Presidência da Província pelo Visconde de Ouro Preto, eram maioria na Assembléia Provincial. De repente, chega a notícia da Proclamação da República. Realmente foi uma surpresa. Silveira Martins acabou preso em Florianópolis. Ele estava a caminho do Rio de Janeiro. Mesmo surpreendidos, os liberais gaúchos aceitaram e aderiram à República. Do lado conservador, “houve também aqueles que se apressaram em ingressar no Partido Republicano, renegando antigas crenças” (AXT, 2011).
Em Viamão, os acontecimentos do país e do Estado também reverberavam, opondo o grupo de Chico Marinho, do lado Liberal, ligado a Barros Cassal, ao dos irmãos Crescêncio de Andrade – chefe do Partido Conservador – e Marcos de Andrade, que compunham o rol dos que eram conservadores, mas também aderiram à República após a Proclamação, filiando-se ao PRR de Júlio de Castilhos. Nesse período, o clima de tensão e confronto estava se agravando a cada dia, especialmente em razão dos debates em torno das novas constituições republicanas em fase de afirmação no Brasil e no Rio Grande. Até que em 1893 estourou a Revolução Federalista com a invasão de Bagé pelas forças do caudilho Gomercindo Saraiva, que vinha já organizando seu exército na estância da família, no Uruguai, descontente com os rumos ditados por Júlio de Castilhos.
Segundo registro do Álbum ilustrado do Partido Republicano (1934)², Acrysio esteve envolvido nos confrontos dessa Revolução, também chamada de Revolução da Degola, compondo o lado dos republicanos nas forças de Firmino de Oliveira Prates, seu tio, comandante do 4° Corpo de Cavalaria.
Há um incidente trágico ocorrido em Viamão dois anos antes, em 1891, dentro do clima tenso da política provincial desta época. O fato, envolvendo os irmãos Andrade, repercutiu intensamente no contexto estadual. Vamos contá-lo nas próximas edições da coluna. Nosso foco, agora, ainda é a trajetória do Coronel Acrysio Prates, coronel chimango, antigo intendente municipal por dois mandatos (1912-1920), na gestão de Borges de Medeiros como Presidente do Estado.
CARMELITA ANDRADE
Acrysio Prates tinha ligação familiar direta com os Andrade³. Sua primeira esposa era Dona Carmelita Andrade, irmã de Crescêncio e Marcos. Assim como o tretavô do coronel, João Rodrigues Prates, que foi Capitão-Mor de Laguna, o bisavô de Carmelita era Manoel Antônio da Costa Guimarães (1749-1823), também pertencente à elite governante lagunense, Ajudante de Ordenanças e Sargento-Mor daquela vila, cargos do Estado Maior (RANGEL, 1786:19).
Manoel Guimarães, natural da Freguesia de São Salvador de Rosas, de Braga, era filho de Manoel Antônio da Costa e Maria Antônia, da Freguesia de São Miguel de Ataíde, e casou com a lagunense Antônia Maria de Jesus. Tiveram vários filhos, entre estes Severina Antônia de Jesus (1795) que, por sua vez, se casou com Henrique Fernandes de Oliveira, outro de Laguna. Estes últimos são os avós de Carmelita e dos irmãos Andrade, pais de Joaquina Amélia, que, por último, se casou com o Major José Ignácio de Andrade.
Os filhos de Joaquina e do Major, portanto, já nasceram em Viamão. Os avós dos Andrade (Severina e Henrique) já estavam no Arraial quando se casaram, no dia 02 de maio de 1816, mostrando a ligação antiga com a cidade. Carmelita nasceu em 08 de novembro de 1871. Crescêncio de Andrade, o irmão mais velho, nasceu em 1841, e o Coronel Marcos de Andrade, em 1851.
A primeira esposa de Acrysio faleceu em 16 de agosto de 1911, com 40 anos, um antes de ele assumir a Intendência. O coronel – que deveria ser considerado na época um excelente partido – casou-se outra vez com Antonieta da Silva Bueno, filha de Antônio da Silva Bueno e Robertina Carvalho Bueno, segundo o livro Lembranças (um registro produzido pelos filhos de Ilza Terra Nunes, em homenagem aos seus 90 anos, completados em 2013). No livro, constam que Acrysio e Antonieta tiveram outros seis filhos: Odete, Maria Antonieta, Sérgio Prates, Antônio (Antoninho Prates), Manoel Luiz (Luizinho) e Terezinha Prates Chiden. Antoninho e Terezinha são vivos.
OS FILHOS DE ACRYSIO E CARMELITA
|
F1 |
Dalila Andrade Prates casada com o Coronel Mário Antunes da Veiga |
|
F2 |
Fernando Andrade Prates |
|
F3 |
Olympia Andrade Prates |
|
F4 |
José Andrade Prates |
OS FILHOS DE DALILA
E DO CORONEL MÁRIO VEIGA
|
F2 |
Coracy Prates da Veiga |
|
F3 |
Clódis Prates da Veiga |
|
F4 |
Cely Prates da Veiga |
|
F5 |
Consuelo Prates da Veiga |
|
F6 |
Clodoaldo Prates da Veiga |
|
F7 |
Celso Prates da Veiga |
NOTAS:
¹AXT, Gunther. Gênese do estado moderno no Rio Grande do Sul (1889-1929). Porto Alegre: Editora Paiol, 2011.
²TIM, Octacílio B. e GONZALES, Eugênio (org. e edição). Álbum ilustrado do Partido Republicano Castilhista – RGS. Porto Alegre: Livraria Selbach de J. R. da Fonseca e Cia, 1934.
³Pesquisa genealógica de Eliani Vieira
*DOS SANTOS, Adonis. Viamão – vultos do passado e figuras ilustres. Página 161.
*Segundo Segundo assentamento encontrado no Livro de Casamentos da Curia Metropolitana de Porto Alegre, L2A, pág. 19 vs. Manoel, exercicia a função de Sargento-mor. Neste registro tambem vemos que ele foi casado com Ana Antonia Maria de Jesus, de Laguna. Visível em http://vimaranesguimaraes.blogspot.com.br/search?updated-max=2011-10-21T21:00:00-07:00&max-results=7
*Ilustração: XICO
*Colaborou: Silvio Terra de Oliveira









































