Refém do Medo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 28 Outubro 2014.

2014 – 10 – 28 OUTUBRO – Refém do Medo – Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Refém do Medo

 

O

 medo é uma manifestação natural, um sentimento intrínseco do animal que somos, uma defesa que nos avisa e protege do perigo ou de qualquer coisa que possa nos magoar ou ofender mental e fisicamente. O medo exercitou nossas habilidades e estratégias de sobrevivência entre os dinossauros, nas savanas africanas ou nas selvas de concreto e plástico. Esse é o medo que nos interessa e empurra-nos a evoluir, no entanto em quantas e diversas situações somos vítimas da manipulação interior e exterior desses medos. Evitaremos de aprofundar uma classificação psicológica dos graus do medo e vamos enveredar pelo caminho do medo que nos aprisiona, que nos laça e garroteia, que nos torna submissos e, pior ainda (muito pior!), submissos àqueles que nos manipulam nas brechas das nossas fraquezas.

 

Cr & Ag

 

A mulher que é espancada frequentemente está nesse cenário do medo que constrói fantasias e armadilhas que buscam justificar para si e para os outros as surras que leva. Exemplos de desculpas: “eu tiro ele do sério”; “ele é muito bom, mas quando bebe…”; “está com problemas no serviço”; “ele puxou esse gênio da família dele”; e quantas outras atenuações. A sabedoria popular acredita que até apanhar “vicia” e lembra-se a anedota do português Manuel que morreu e deixou a Maria de viúva depois de quase cinquenta anos de surras. Contam que tempos depois da morte do Manuel os vizinhos escutavam barulhos de surras e a Maria gemendo. Pensaram inicialmente em fantasmas e assombrações até que vencendo seus ‘medos’ foram espiar pelas frestas da casa e viram a Maria jogando os tamancos do Manuel para o alto e aparando-os nas costas já bem lanhadas.

 

Cr & Ag

 

O medo do quarto escuro ou da escuridão faz a criança mais cautelosa e arisca. Logo esse medo pode se transporta para a escola nova ou para uma turma onde será vítima ou mentor do exercício do medo. O medo nas escolas ocupa um magnífico capítulo de variados matizes como o medo de tantos professores em querer disciplinar seus alunos diante do abuso de legislações oriundas da vontade exitosa de mentes que destroem a família, a moral e os pilares do convívio social. Isso não ocorre por mera casualidade, isso está dentro de um contexto em primeiro arrasar as estruturas naturais e vigentes na democracia para a seguir implantar (pelo exercício do medo) as ditaduras. Aumentam os temores de professores, que ainda são realmente professores, de atuarem para educar os jovens privilegiados e intoxicados pelas cotas.

 

Cr & Ag

 

Há cerca de 4 a 5 vezes mais seguranças privados no país do que soldados no Exército. Gasta-se bilhões na segurança privada, do cão ao alarme de penúltima geração. Isso cresce vertiginosamente pela absoluta sensação de insegurança (medo!) das pessoas honestas. As casas tornam-se jaulas que aprisionam o homem e permitem a liberdade das feras. “A Brigada prende e o delegado solta”; “o delegado prende e o juiz solta” – o resumo macabro de tudo isso é que o criminoso será solto. A poucos dias um “estuprador primário” preso em fragrante com seu comparsa foi liberado para “responder em liberdade o processo” pela “autoridade judicial”, noticiou a imprensa. Assim parece que o primeiro estupro é normal para quem o liberou.

 

Cr & Ag

 

Estou enviando essa crônica sem saber o resultado do pleito eleitoral e assim também não sei se o medo venceu ou…

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