A vida como ela é! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 18 Novembro 2014

 

2014 – 11 – 18 Novembro – A vida como ela é – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

A vida como ela é!

 

Precisando substituir meu pincel de barbear, fui numa farmácia de rede no litoral. Procurando e não encontrando, solicitei a uma das funcionárias: – Preciso de um pincel de barbear e que seja bem macio! – a jovem muito solícita disse-me:Chegue aqui no caixa, eles estão ali. De imediato, alcançou-me uma embalagem com o pincel de barbear. A marca do pincel, bem estampada na embalagem, era Condor. Condor é uma marca tradicional até no ramo de pinceis de pinturas em geral. Estiquei um pouco do assunto com a moça que gostou do meu neto Lucas que me acompanhava. Disse-lhe: – Moça esse pincel é de barbear “condor”, veja aqui – apontei com o dedo à marca. Eu queria um bem macio e “sem dor”. Imediatamente a funcionária baixou vários pinceis de barbear da gôndola e examinando as embalagens disse-me: – São todos iguais! Não temos outros tipos. Serve esse para o senhor? – claro que serviu. Como tinha que comprar outras coisas que a família tinha encomendado resolvi parar com qualquer outra brincadeira.

 

Cr & Ag

 

Os cabelos brancos e a idade são, até certo ponto, uma defesa ou uma blindagem contra situações pouco comuns ou até constrangedoras para alguns. Acredito que presentar com roupas íntimas para quem se ama ou quando se deseja apimentar, esquentar ou intensificar uma relação é algo magnífico. Se nunca tive nenhum constrangimento em entrar num departamento feminino de qualquer loja, depois de uma certa e apreciável quilometragem de vida, isso jamais seria empecilho. Estava na seção de roupas íntimas de tradicional magazine da capital examinando e imaginando como a pessoa amada ficaria recheando, sendo o conteúdo principal, com aquelas belas molduras íntimas. Eis que me apercebo que várias clientes (mulheres!) olhavam-me atentamente. Como sou muito tímido (vocês que me conhecem sabem disso!) coloquei uma bela peça na minha frente e perguntei para uma das mais interessadas: – Que tal, vai ficar legal? – a resposta veio rápida como raio: – Ela vai adorar, mas em ti não fica muito bem! – e rimos. As boas risadas nascem da espontaneidade.

 

Cr & Ag

 

Tenho alguns amigos extremamente espirituosos. Outro dia olhávamos uma reportagem de conhecido cartola do futebol nacional que se apresentava com uma novíssima namorada. Esse abonado cartola que pertence àquela elite que governa o país do futebol é famoso por preferir jovens exuberantes de corpo e com eficientes neurônios ginecológicos, geralmente capas de revistas masculinas. O cartola passou dos 7.0 e a beldade nos meigos, mas veteranos de todos os combates de lençol, vinte aninhos. O repórter perguntou-lhe se a diferença de idade de mais de cinquenta anos não atrapalhava. A resposta veio fulminante como voto na Dilma: – Não ligo para detalhes! Ao que meu amigo espirituoso e implacável bateu na marca do pênalti: – Isso é namoro de orelha! Como não entendi, perguntei-lhe o que significa “namoro de orelha”. Implacável como marqueteiro do PT: – Namoro de orelha é o namoro longe do coração, mas perto dos chifres!

 

Cr & Ag

 

A vida é um sobe e desce e estamos nos finais de um ano que “a elite” permanecerá cada vez mais abonada, pois nunca os banqueiros e seus playgrounds bancários faturaram tanto como nesses últimos doze anos do “governo dos pobres”. O mesmo pobre que paga quase 200% de juros no cartão de crédito e raramente receberá mais de 6% na sua poupança (se tiver!). O mesmo pobre que se for cidadão trabalhador ou aposentado depois de 35 anos de trabalho verá seu reajuste bem abaixo da bandidagem nas cadeias ou da vagabundagem de cerveja e taco de bilhar em punho, mas mamando em alguma bolsa populista. Nós que trabalhamos cinco meses do ano e entregamos de mão beijada para distribuir e fazer mágica de sumiço na Petrobrás e só depois é que vai trabalhar para comprar comida, roupas, aluguel, prestações, plano de saúde e de morte, escola e se sobrar – lazer, ficará satisfeito em ser mais solidário ainda com as criaturas fora do seu lar que você obrigatoriamente “ajuda” e para isso vai precisar trabalhar muito mais. Afinal, as empreiteiras não são brasileiras e a Petrobrás não é nossa?

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