O Coronel Chimango – Vitor Ortiz – Novembro 2014

 

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O CORONEL CHIMANGO

 

O verdadeiro “manda-chuva”

de Viamão

 

O PRINCIPAL OPONENTE POLÍTICO DOS MARAGATOS LIDERADOS POR CHICO MARINHO ERA O CORONEL ACRYSIO PRATES, CHIMANGO, BORGISTA, SEGUIDOR DOS IDEAIS DE JÚLIO DE CASTILHOS. ELE ERA, CONFORME ESCREVEU ADONIS DOS SANTOS, QUEM VERDADEIRAMENTE MANDAVA EM VIAMÃO NA SUA ÉPOCA.

 

Acrysio Martins Prates nasceu em 1868 e faleceu no dia 02 de setembro de 1945, menos de um mês depois das explosões das bombas atômicas em Hiroshima e Nagazaki, no ano em que terminou a Segunda Guerra Mundial. Sua ligação política familiar com os irmãos Andrade, Crescêncio e Coronel Marcos, e também com Júlio de Castilhos fez dele um conservador republicano, depois borgista e chimango convicto. Como se tratava da elite governante do período, acabou por ocupar importantes postos nos níveis estadual e municipal.

Segundo Adonis dos Santos, o Coronel Acrysio foi coletor estadual e advogou no então Superior Tribunal do Estado. Já em Viamão, foi escrivão do Juizado de Órfãos e Ausentes, delegado de polícia e exerceu o cargo de intendente por dois mandatos, entre 1912 e 1920, justamente no período áureo do PRR (Partido Republicano Riograndense), quando Borges de Medeiros governava o Estado com uma mão de ferro. Período também que coincide, no mundo, com a eclosão e o desenrolar da Primeira Guerra.

Participou da revolução federalista ao lado do tio, Firmino Prates, e ssumiu o cargo de intendente pela primeira vez em 1912, aos 44 de idade. Quando saiu dessa função, tinha 56. Coube a ele a proteção de Viamão durante o levante maragato de 1923. Do lado oposto, o dos libertadores de lenço vermelho liderados por Honório Lemes, que ameaçavam a ordem vigente, estava o também viamonense Chico Arroio. Naquele tempo, em algumas ocasiões, a política colocou em guerra gaúchos contra gaúchos, viamonenses contra viamonenses.

“O Coronel Acrysio Prates foi, na sua época, o mais prestigioso chefe político, influente em todos os setores de atividade, tendo tido sempre um papel saliente e decisivo,” diz Adonis. Em verdade, todas as decisões politicas importantes no nível local, incluindo as nomeações para os cargos do Estado, passavam pelo seu crivo. O PRR praticava uma hierarquia rigorosa, referenciando suas decisões em suas lideranças locais. Ou seja, Borges, quando não decidia sozinho, o que as vezes ocorria nos casos de impasse, só batia o martelo depois de consultar o chefe político do município. Fazia parte da estratégia de consolidação e preservação do poder dos republicanos gaúchos. Vem daí a expressão usada por Adonis em seu livro para enfatizar a liderança do coronel chimango: “em linguagem bastante popular e compreensiva, desejo dizer a todos os homens do presente que o Coronel Acrysio Prates foi, no seu tempo, o verdadeiro manda-chuva de Viamão”, carimbou o memorialista.

Na sua biografia política está também uma posterior passagem pelo Partido Liberal, liderado pelo General Flores da Cunha, depois da extinção do PRR, e pelo PSD (Partido Social Democrático), que sucedeu ao PL.

 

PODER ANCESTRAL

A relação do Coronel Acrysio Prates com o poder era ancestral. Seus pais eram o fazendeiro Manoel Martins de Oliveira Prates, casado com Dona Liduína Cândida de Barcelos. Ela filha de Cândido Pinheiro de Barcellos com Dona Fausta Cândida de Moraes Sarmento. O pai de Acrysio Prates, Manoel, por sua vez, era filho de Zeferina Cândida de Oliveira Prates e de Ignácio Martins de Ávila, este último nascido em Viamão, em 1796, e batizado pelo Coronel Ignácio dos Santos Abreu.

Zeferina de Oliveira Prates, a avó do coronel, era filha do casal Luciano de Souza Prates e Brígida Maria de Oliveira Prates. Seus avós (os de Zeferina) eram Manuel de Souza Gomes e Francisca Rodrigues Prates. Esta última, filha do capitão-mor de Laguna (o cargo mais importante do lugar) João Rodrigues Prates, casado com Isabel Gonçalves Ribeiro, que apesar de não ter integrado o grupo daqueles que emigraram para Viamão, tinha uma sesmaria na região. Acrysio era seu tetraneto. Já os bisavós e trisavós dos pais do coronel eram açorianos, conforme indicam os registros de batismo.

O coronel tem dois filhos vivos, ambos do seu segundo casamento: Terezinha Prates Chiden e Antônio Prates. Terezinha foi diretora da Escola Castelo Branco e é mãe do ex-Prefeito Jorge Prates Chiden, eleito nos anos 90 pelo partido do ex-Governador Leonel Brizola, o PDT (Partido Democrático Trabalhista). O ex-Prefeito Clodoaldo Prates Veiga (da ARENA e PDS), que governou Viamão entre 1968 e 1972, filho de Dona Dalila e do Coronel Mário Veiga, também era neto de Acrysio.

Na próxima edição, vamos mostrar os dois casamentos, os filhos e netos do coronel, além do trágico assassinato do pai, ocorrido quando ele ainda era criança, numa emboscada no Passo das Canoas, próximo à Gravatai.

 

PARENTESCO ANCESTRAL DE ACRYSIO PRATES

Tetravós

João Rodrigues Prates (casado com Isabel Gonçalves Ribeiro).

Ele, Capitão-Mor de Laguna.

Trisavós

Francisca Rodrigues Prates (casada com Manuel de Souza Gomes)

Ela, filha do Capitão-Mor.

Bisavós

Luciano de Souza Prates (casado com Brígida Maria de Oliveira Prates)

Ele, filho de Francisca e Manoel, neto do Capitão-Mor.

Avós

Zeferina Cândida de Oliveira Prates (casada com Ignácio Martins de Avila). Ela, filha de Luciano e Brígida, bisneta do Capitão-Mor.

Pais

Manoel Martins de Oliveira Prates (casado com Liduína Cândida de Barcelos). Ele, filho de Zeferina e Ignácio. Ela, da tradicional família Barcellos, também de Viamão..

NOTAS:

*Ilustração: XICO (a partir de foto cedida por Terezinha Prates Chiden)

*Pesquisa: Eliani Vieira

*Colaborou: Silvio Terra de Oliveira

 

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