Namoro de praia – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 06 Janeiro 2015

 

2015 – 01 – 06 Janeiro – Namoro de praia – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Namoro de praia

 

A

 sabedoria popular diz que “recordar é viver novamente”. T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse, numa de suas obras, crava: – Recordar é manter acesa a chama da vida. Dolorosamente tivemos as notícias de dois colegas, médicos brilhantes e professores singulares, que cavalgam um potro incontrolável chamado “demência”. Ingressaram na ciranda em que a dignidade foge da pessoa e a dor pessoal desaparecerá enquanto aumenta a dor e todo o sofrimento familiar. Alzheimer é um dos nomes técnicos. Daí que ao cronista, vasculhar os baús da existência tem esse gosto renovado e se passar pelo bom humor será muito melhor. E aqui olhando essa imensa lagoa salgada, como o governo da companheira Dilma, aproveitando o dia porque à noite terá alguma falta de luz, vêm as imagens de um final de anos 60 em que o Brasil de coturnos explodia em obras causando inveja aos “hermanos” argentinos.

 

Cr & Ag

 

A testosterona é o caminho mais curto entre o cérebro e a perdição. A mente do homem funciona sem atalhos, prerrogativas, pródromos, preliminares. Quando o olho de tigre do macho bate numa mulher e principalmente de biquíni – lembre-se de uma época em que biquíni ainda era biquíni – há um tsunami hormonal que explode nos testículos e na salivação. Esse preâmbulo, essa explicação introdutória revela o psiquismo masculino: mulher-sexo, mulher-sexo, mulher-sexo… Após uma idade mais longeva (?) há quem introduza a cerveja e o churrasco nessa batalha. Naquela época havia as “moças sérias” e não é porque não rissem, mas era o modelo que as futuras sogras queriam para noras. E as “não sérias” ou aquelas que as futuras sogras jamais queriam para noras. Sirigaitas?

 

Cr & Ag

 

Conseguem imaginar a Cidreira sem as casas desabando, sem lixo para todos os lados, praia limpa? Incrivelmente já foi assim! Caminhava-se a beira das marolas, chutando mariscos (juro que havia!) e tatuíras. Cruzando-se com as gurias, saía uma piscada de olhos, um biquinho beijoqueiro ou um “quetal”. Se viesse um sorriso de resposta, o mundo parava e a testosterona fervia nos canos. Pouca coisa? Que nada, pois era uma época em que os calções de banlom substituíam os “samba-canção” e os maiôs já sem a pudica cortina cobrindo “as partes” dera lugar ao maiô “normal”. E o biquíni desafiava com Leila Diniz grávida e a barrigona na areia de Copacabana. E, às vezes, rolava um bate-papo em que um ou dois corajosos balbuciavam e os demais assistiam cavoucando buracos na areia com o dedão do pé entre suspiros e olhares enviesados. O vocabulário encerra, ainda hoje, algo de fazer inveja aos hieróglifos: – E aí, legal, beleza, sol, sol, da onde… Não havia ainda essa liberação sexual. Anticoncepcional era muito escondido e dava “vômitos, desmaio, dor de cabeça” e outras “desgraças”. E camisinha era Jontex ou condom para os mais letrados

 

Cr & Ag

 

Aconteciam reuniões dançantes no legítimo som de vinil, agora ressuscitado, nas casas ou garagens e nos clubes. Sério! Havia o CPC – Cidreira Praia Clube ou o clube novo e o outro – o clube velho. Era a chance de encostar, “chamar nos queixos”, e, na melhor das hipóteses, um “passeio nos cômoros de areia ou na casinha do salva-vidas”. Nem tudo era somente sexo, havia o namoro sério. Isso se traduzia pelo perfil da criatura, seu berço e principalmente por estabelecer perímetro e fronteiras desde o primeiro sorriso. Sempre foi assim, homem não se mete de pato a ganso com mulher que não quer ou permite. A felicidade do namoro vinha quando a amada recortava esparadrapo fazendo as iniciais do nome do amado, colava no corpo para que esse ao se bronzear mantivesse na pele alva as marcas do amor pretendido ou realizado. O homem sabia que a bela mirava com grinalda e igreja e ele teria que gastar a testosterona em outros campos de batalha.

Viamão já foi assim 2

Viamão já foi assim

Fonte: Viamão já foi assim

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