Casa na praia: Alegria ou Castigo? – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 13 Janeiro 2015

 

2015 – 01 – 13 Janeiro – Casa de praia II – alegria ou castigo – Edson Olimpio Oliveira    Crônicas & Agudas    Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br

Casa na Praia: Alegria ou Castigo?

 

Segundo o heroico Joãozinho Trinta: – Quem gosta de pobreza é rico, pobre gosta é de riqueza, do bom e do melhor… Outro dia, escutando um esteticista capilar – nome politicamente correto do tradicional barbeiro – deparei-me com fragmentos da vida desse colunista e, quem sabe, de muitos de nós.

 

– Companheiro, to preocupado. Tá chegando os dias das minhas férias e já to perdendo até o sono. – dizia-me. E continuou: – Esse baita verão! Um sol de rachar coco e eu ainda não criei coragem de ir para a orla. O litoral sabe, pois quem tem praia meeesmo é Santa Catarina?

– Mas sei que até compraste uma casa lá pela praia do Magistério… – disse-lhe.

– Comprei mesmo. Esse vai ser o nosso segundo verão lá. É um rancho simples. Fiz mais um quarto pro guri e puxei uma meia-água como garagem, churrasqueira e um banheiro. Dá muito bem pra nós. Sabe como é depois que tu sai de um fusca, cai num Chevette e estaciona com um Gol e já não paga aluguel aqui em Viamão. A gente se prepara prum ranchinho na praia. É o sonho. Mas o verão passado foi um pesadelo, um inferno. – sacudia a cabeça com a fronte franzida como bombacha de magrão.

 

Já imaginando desgraça, quis saber o que acontecera.

 

– Sabe como é família? E pobre o que mais tem é cachorro e parente. É parente que tu nem conhece. Quer dizer, vai conhecer na praia.  – concordei com a cabeça. Começou tendo que levar a sogra e o cunhado junto. A velha até que é legal, pois cozinha muito bem e cuida das crianças na praia. Sabe aquela tesão que dá na gente depois do almoço olhando a nega de biquini? A velha leva as crianças para a sorveteria para dar um tempo e sempre sai se rindo e assobiando. Mas a coitada tem um problema de intestino. Pode comer coisa de rico, mas o que sai… O que sai, meu… O banheiro, a casa e até os vizinhos ficam empestados. Manja carniça de bode? Muito, muuuito pior! Urubu voa de costa. E um dia, ao puxar a cordinha da descarga, a caixa ainda caiu na cabeça da velha e teve que levar seis pontos no cocuruto. Mas ela é de menos. – o olhar perambulava pela sala.

 

– Teve um dia, um domingo, que tinha cinco carros e duas motos lá em casa. Nós somos de cinco e tinha vinte e três pessoas. Vinte e três, contei bem nos dedos das mãos e dos pés. Sabe o Zé, meu irmão, ainda trouxe a família do cunhado e um eletricista que é vizinho dele e outros agregados. O eletricista trouxe um saco de carvão, 6 salsichão e 2 kg de costela magra. A mulher do cara era um dinossauro, uma patrola no tamanho e na fome. A maioria só trouxe a boca e a bunda. Estacionaram mal e conseguiram cair dentro da fossa depois que um carro quebrou a laje e entupiram os dois banheiros. Dei uma prensa e fizemos uma vaquinha para comprar uma carne e uns tomates com batata. Cerveja? Eu tinha um estoque guardado pra todo verão. Tomaram tudo até às 11 da matina. – era uma lamúria de dar dó. E continuou.

 

– De tarde, tinha resto de melancia, uva e gente dormindo em tudo que era canto. A filha do Zé, minha afilhada Dieniffer com dois “f” e o magrão tatuado se fecharam no quarto da velha e a guria gritava que nem petista na chegada do Lula. Tinha rede com três babando dentro. Uma gordinha cor de camarão dava arranco e chamava o hugo no buraco da fossa. A minha nega perdeu um pivô e quase pediu divórcio, ficou de empregada dessa gente toda e ela dizia que eu tinha que escorraçar esse povo. Mas eram parentes meus e dela. Se ela mandasse os dela eu mandaria os meus. Já não via a hora de chegar à noite e esse povo se arrancar. Chegou à noite. Uns foram mais cedo. Outros bem mais tarde para escapar do congestionamento da estrada. Aí quando outros queriam ficar para “ir na segunda de madrugada”, eu sacudi os arreios. Dei um esporro.  Me fiz de doido e corri com as belezas. Alguns não voltaram, felizmente. Outros apareceram, infelizmente. E assim foram as férias na praia… – completou com a face sofredora e despediu-se. (da Série Humor-Tal – reeditado a pedidos)

Meninas na praia

O Sanduba

 

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