O homem no supermercado – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 27 Janeiro 2015

 

2015 – 01 – 27 Janeiro – O homem no supermercado – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas

 

O homem no supermercado

 

H

á homens especializados, outros são incumbidos, alguns vão às compras em épocas ou períodos especiais. As festas de passagem de ano é uma dessas épocas em que encontramos homens de todos os tamanhos e idades empurrando carrinhos de mercado. Qual a semelhança entre um sujeito tipo “carreta de 48 pneus” e o tipo mini? Além de serem homens! Observem o conteúdo dos carrinhos. Os carrinhos das mulheres carregam um pouco de quase tudo, do palito de dentes ao absorvente íntimo, do abacaxi ao creme dental, do inseticida ao sei lá o que mais. Não que não haja homens com espírito feminino, talvez até uma sobrecarga de estrógenos e progesterona circulando pelas veias, pois há aqueles com notas escritas de punho a impressas no computador. Outros mais sofisticados expõem um tablet que nem falta falar. Mas o nosso nicho é outro.

 

Cr & Ag

 

Resolvi fazer uma contagem enquanto esperava no estacionamento do super. Quando atingi o número quinze, entendi que a regra é quase geral. O apreensivo leitor quer saber o mistério dessa pesquisa. Vamos lá. Invariavelmente os carrinhos traziam carvão, carne geralmente costela, gelo e… Cerveja. Fardos de cerveja. Cerveja para cem pessoas sedentas. Criaturas desesperadas como abandonados no Saara. No entanto, a carne talvez para uma família aumentada, umas dez pessoas. Cerveja, carne, gelo e carvão – está pronta a festa de fim de ano. É réveillon completo. Pode faltar carne, jamais a cerveja. Criaram até geladeira especial e colorida para cervejas. Eta capitalismo eficiente!

 

Cr & Ag

 

Entendem porque as empresas fazem tantas propagandas de cerveja? Uma amiga, observadora também, refere que cerveja e absorventes íntimos devem vender aos borbotões. Não entendi bem a relação de um e outro, mas as mulheres têm um sentido mais apurado que o masculino e num relance identificam tudo que outra mulher ostente. Homem não é de ostentar, nem no mercado. Inclusive é solidário com outros homens: – Deu na Globo que vai faltar cerveja esse verão! – o mano do outro lado da gôndola sai na pernada para pegar mais uns fardos. Vá que a Globo (?) acerte e falte cerveja. Um amigo raciocina: – Mulher nunca faltará, até tem excesso, mas cerveja… Mulher ostenta tanto que é capaz de tirar a armadura dos seios para mostrar o silicone novo: – O meu tem 575 ml e é importado da Alemanha. – alfineta. Se fosse chinês ou paraguaio não valia quase nada. E cubano seria desonra total!

 

Cr & Ag

 

Outro tipo de homem em supermercado é o “matador”. A cabeça do homem é do predador do início ao final de carreira. Como cachorro comedor de ovelha na tradição gauchesca que “depois de velho e desdentado ainda quer lamber o pelego”. As criaturas ficam perambulando pelos mercados da Capital enquanto a família está na praia. E ali há o encontro de carrinhos e sugestões, um papo legal talvez e “se rolar uma química” armou-se a tormenta. O caçador esquece-se de que sua cara metade está em algum mercado do litoral e talvez alvejada por outro predador. Coisas da vida. O sujeito se esquece do sal, perde o filho no mercado, mas a cabeça é rápida como político na Petrobrás. Outro matador terrível, esse com respaldo do partido e do governo com tentáculos. O matador do mercado e o político indicado na Petrobrás acham-se impunes, jamais serão descobertos e se forem… “o mundo sempre foi assim” e “todos fazem”, segundo o guru supremo e intangível. E verão, sendo período de reflexão – Pô meu, votá na Diiilma, coisa de jegue! Gasolina sobe! Luz sobe e falta! Água sobe e desaparece! Estrada esburacada e sacanagem atrás da moita multando! O bom humor não salva, mas refresca.

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Imagens colhidas ao vivo em Boa Vista – Roraima.

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