A Presidenta e a defesa do traficante – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 10 Março 2015

2015 – 03 – 10 Março – A Presidenta e a defesa do traficante – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

A Presidenta e a defesa do traficante

 

É

 uma criatura tão peculiar e inigualável que devemos nos associar ao seu desejo singular de ser chamada de presidenta. E um dos marcantes episódios de sua gloriosa administração dos 39 ministérios e incontáveis secretarias foi retirar da Indonésia o embaixador brasileiro em represália contra a ofensa nacional por executarem um traficante brasileiro. O fato de ser um traficante há mais de 20 anos, julgado e condenado é mero detalhe. Essa despudorada e brutal ofensa ao Brasil deveria ser respondida nos moldes do amigo ditador da Coreia do Norte: – O Brasil declara guerra à Indonésia e vamos invadir as Malvinas deles”. “Eles vão ver o que é bom pra tosse quando a vaca tossir” – imagino no seu discurso em cadeia nacional. E olha que os partidos da sua base entendem de cadeia nacional. Da Indonésia não.

 

Cr & Ag

 

A Indonésia tem essas leis estranhas e absurdas e de execução cruel – pô meu, fala sério, fuzilar o mano! Deveriam mandar o cara para Bali surfar até… morrer de cansaço ou de velho com as narinas entupidas de “talco”. Retirar o embaixador brasileiro e cortar relações com a Indonésia é pouco pela crueldade da lei. Ou só porque ele é brasileiro e votou nela e nele? – Nele quem? – pergunta o distraído. Nele, o cara, o intocável, aquele que nada viu e nada sabe, isento total. Sacou! “O cara não matou ninguém” – claro que não, pois a “droga é coisa do capitalismo e tudo é culpa dos americanos”, sussurrava um assessor do Planalto com pós- graduação na Bolívia de Evo Morales. O Brasil é um país de amor (e sexo – o governo mentiroso nos ferra todos os dias), aqui não há crueldade, todos têm direito à embargos infringentes e advogados do quilate de um Marcio Tomás Bastos e infindáveis recursos e vistas de processo. Todos tem amplo direito à defesa e ao ataque (e meio de campo), como na fila do SUS, na falta de vagas nos hospitais, nos curandeiros cubanos, nas balas perdidas, nos arrastões, nos impostos que bebem teu sangue e violentam tua alma, na inflação, na corrupção…

 

Cr & Ag

 

Faltou sua casa civil ter declarado luto oficial por três dias e bandeira a meio pau no Brasil e nas embaixadas. A crueldade da lei na Indonésia fez a presidenta relegar ao último plano a chacina no jornal francês Charlie Hebdo e no mercado judeu. Também ali a culpa é dos americanos e do capitalismo excludente que não copia a graça na administração socialista da Petrobrás e a inclusão (dos deles) na posse do Brasil. Nem destruíram os vinhos prediletos do ex-presidente, como Romanée Conti. As chacinas francesas que reuniram em repúdio líderes mundiais de todas as nacionalidades, credos, cores e ideologias não sensibilizaram a nossa presidenta, talvez porque ali não estava a honra do Brasil envolvida. Nenhum traficante brasileiro estava envolvido. E nenhum socialista da Petrobrás ou do mensalão. “Vejam a culpa da globalização” tão combatida pelo socialista tupiniquim embarcado na sua camionete Range Rover.

 

Cr & Ag

 

Somos um povo solidário e amoroso, deveríamos durante o Jornal Nacional, em cadeia nacional e na Papuda, na prisão domiciliar ou no indulto de Natal fazer um minuto de silêncio e de oração ao “Pai Lula que está no Brasil, santificado e etecéteras e tal”. Seria o mínimo. E quando as cinzas do “garoto” chegassem ao aeroporto brasileiro da empreiteira e mensaleiros unidos, saíssem em carreata no caminhão do corpo de bombeiros, discursos inflamados e infeccionados da base parlamentar, com vários trios elétricos e escolas de samba. Certamente alguma escola de samba trará esse tema enredo – “menino brasileiro assassinado na Indonésia” alimentado com poposudas verbas públicas. Renderia um filme: “Filho do Brasil fuzilado na Indonésia”. Mais de 60 mil brasileiros mortos anualmente no trânsito e outro tanto na violência urbana fariam posição de sentido nas covas coroadas pela impunidade da justiça nacional. Já estou procurando um canivete que ganhei da avó Adiles para afiar e me preparar para invadir a Indonésia. Quero ser pracinha dessa nova força expedicionária brasileira a ser convocada pela amorosa, sincera, afetuosa e defensora ferrenha da honra nacional e mãezona presidenta. Seria como um PAC contra a Indonésia!

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