2015 – 04 – 21 Abril – Horizontes – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Horizontes
Faça a imagem de um Colombo ou de um Américo Vespúcio, que também era Cabral, sentado num rochedo à beira do oceano. Mesmo na sua infância. Os olhos cravados naquela linha onde o mar e o céu se tocam, mesmo que aparentemente. Ou Moisés cansado da jornada pelo deserto e vendo seu povo em sofrimento e revolta, ora com os braços erguidos aos céus e busca no horizonte algum sinal de que Deus está com eles e logo a montanha se crava na sua retina e um sentimento brota em sua alma. Um novo horizonte se descortina! A casa própria, o primeiro carro ou uma flor para a pessoa amada são horizontes singelos nas aspirações humanas. Quantos horizontes se descortinam em nossa mente ou reluzem em nossos olhos e que embalam nossos sonhos, nossos desejos, nossas aspirações e com ele a máquina chamada humanidade caminha e galga, alcança e persiste evoluindo.
Cr & Ag
Somos seres que precisamos, necessitamos e buscamos evoluir. Infelizmente nem todos para o bem e para a iluminação. Há quem veja o brasileiro como um povo acomodado em suas poucas necessidades e com horizontes muito próximos e, por vezes, fugazes. Um balde d’ água e um prato de farinha para o nordestino, um trio elétrico para o baiano, churrasco para o gaúcho, uma viola chorando a traição para o centro-oeste… E um pouco de tudo para a miscelânea humana que é “Sum Paulo”. Diretas Já – era o povo vislumbrando um horizonte. Seguiram-se com os caras-pintadas e o Fora Collor. A construção do falso mito do operário amputado no trabalho elevou um partido (PT) como depositário dos sonhos, aspirações e daquilo que era a sua legenda principal na honestidade e corrupção zero como a bandeira desfraldada num novo horizonte de plena liberdade, trabalho e sonhos possíveis e realizáveis.
Cr & Ag
Somos criaturas desesperadas por acreditar. Está na nossa índole mais ancestral. Necessitamos crenças. Preferimos as verdadeiras, mas aceitamos e tentamos nos enganar com as falsas, pois a nossa cristandade persiste em “vai melhorar” ou no “Deus é brasileiro e vai nos ajudar”. Contentamo-nos com péssimos hospitais para nós e nossa família e escolas ruins para nossos filhos, netos e amigos, desde que a casta superior que nos governa possa tratar-se no Sírio Libanês ou nos melhores serviços médicos do planeta. Para muitos o horizonte segue satisfeito num churrasco com cerveja no final de semana ou um baile funk. Um adesivo entristecia-nos durante os anos de ditadura militar – Brasil! Ame-o ou Deixe-o. Estamos vivendo nova ditadura. A ditadura do absolutismo partidário pelo voto dos obsidiados pela ideologia ou pelo populismo das bolsas qualquer coisa enquanto durar o dinheiro e a paciência de quem trabalha e sustentadas pelos mais cruéis impostos do mundo dito civilizado.
Cr & Ag
Cresce o número de pessoas que o horizonte está em viver fora do país. Um programa da Band TV retrata o mundo pelos brasileiros que vivem nos mais variados confins da terra, trabalhando, estudando, produzindo. Continuam amando e saudosos da pátria e dos familiares e amigos, mas a vida lá está melhor. A ideologia vigente e tão caótica quanto a corrupção e irá chama-los pejorativamente de “elite”. Quem estuda e trabalha é elite. Quem tem um horizonte é elite. “Felizes as elites, pois deles serão os reinos da terra” – o Filósofo do Apocalipse. A “elite” domina Cuba há mais de cinquenta anos. A “elite” domina a Coreia do Norte. A “elite” ficou com toda a riqueza depois do esquartejamento da União Soviética. A “elite” destroçou a Venezuela, um dos principais produtores de petróleo do mundo. Um horizonte trouxe pessoas, crianças e famílias para as ruas do país sem as bandeiras da dominação viciosa de muitos sindicatos ou das milícias que ordenham em proveito próprio a saúde da nação. E o seu horizonte? E o horizonte que deixará para sua descendência e para sua pátria?