2015 – 07 – 07 Julho – Coragem & Beleza 1 / II– Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Coragem & beleza – Parte 1 / II
A coragem e o destemor das pessoas dos Campos do Viamão eram famosos. Nos idos da década de 1760 as regiões abaixo de Laguna, onde passava a linha do Tratado de Tordesilhas, eram disputadas a ferro e fogo por espanhóis e portugueses. Uma tentativa de estabelecer a posse dessas terras foi a construção do presídio e depois fortim de Jesus, Maria e José na desembocadura da Lagoa dos Patos onde hoje está a cidade de Rio Grande. Isso era um meio caminho entre Sacramento e Laguna. Ali o Império colocou um governador. Tropas castelhanas sob o comando do general Pedro Ceballos de Buenos Aires, logo Vice-Rei do Rio da Prata, invadiram Rio Grande e depois São José do Norte. O governador abandonou seus homens e colonizadores e como cão com a cola entre as pernas buscou refúgio e proteção nos Campos do Viamão e ali se estabeleceu a nova Capital da pretendida capitania ou província. Eis assim, novamente, este cronista e médico que firmou há décadas o título de Viamão, a Primeira Capital de Todos os Gaúchos demonstra que “Todos” representa o nascimento do embrião patriótico que reuniu sob uma mesma bandeira e um mesmo sentimento de brasilidade as pessoas de vasta região. Há historiadores, inclusive viamonenses, que se recusam a enxergar e entender a história real. Que sintamos orgulho de nossas origens reais e jamais a miopia ou o sintomático complexo de inferioridade.
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O primo Danilo crava que não há viamonense frouxo ou bunda mole. Há uns com mais e outros com menos coragem. Sendo o primo Sílvio Negrinho é uma referência em valentia. Na minha juventude viamonense – longínqua por sinal – havia verdadeiras provas de fogo e até de água para testar. E lendas urbanas ou realidades transbordam nas lembranças. Atravessar o Lago da Tarumã a nado era uma dessas provas. A criatura circulava com o peito estufado na praça ou era servido como rei no Café Comercial e, claro, jamais pagaria a passagem nos ônibus do seu Hormindo Jaeger para Porto Alegre. Mas isso ceifou muitas vidas que se afogaram no fundo lamacento, dando origem às lendas e superstições macabras.
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Vai outra prova alucinante: saltar do último andar do trampolim do Cantegril quando era Cantegril Clube. Como Tarzan saltando do décimo andar e de ponta-cabeça. Conta-se que certa criatura arrepiou de dar “um ponta” na última hora e caiu de pernas abertas. Os testículos foram parar no pescoço com o impacto e “nunca mais serviu pra emprenha guria nenhuma”– diziam com tristeza. Coisa horrível e dolorosa. “Em terra de homem valente há mulheres bonitas!” – ensina T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse do alto de sua bravura e sapiência. O Cantegril era um desses redutos das mulheres mais belas e que embalaram sonhos edílicos. A prima Iara, num biquíni com as cores da bandeira americana, venceria qualquer concurso de beleza internacional, se aspirasse competir e a piscina acolhia a baba dos rapazes tropeçando. A prima Marília fez sessão fotográfica no parquinho e entre os bosques famosos. O laureado fotógrafo extasiou-se com sua beleza e feminilidade e teve que tratar a visão, pois ficou com os olhos esbugalhados. A mãe da prima Iara, a prima Leda foi uma das mulheres mais belas dessa cidade.
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Outra prova de valentia – e pouco apreço à vida – era tomar cerveja sentado no picadeiro gradeado do circo internacional do Capitão Robatini. Nei Fraga, já famoso por tantas façanhas e peripécias, foi protagonista desse feito fenomenal. Nessa noite, teve gente caindo das arquibancadas tipo poleiro de tão apinhada que estava. E na esteira das mulheres bonitas e para não citar somente a minha enorme e mui bela família, estava a Rosinha Vilanova, irmã do Caio, que além de rainha declamava “A Lagoa” de forma soberba e fazendo verter lágrimas na plateia. Miriam “Mima”, depois esposa do amigo e brilhante cirurgião-dentista doutor Emílio Allem, faria Giselle Bündchen parecer uma “coloninha bonitinha”. Perguntem para quem conheceu essa outra rainha de beleza.
Nota do Cronista: acompanhem a próxima coluna no Jornal Opinião ou no site.