A singular amiga e poetisa Lúcia Barcelos nos apresenta mais um belo poema.
Colaboradora e novamente presidente da ALVI – Associação Literária de Viamão e que prepara mais um livro/coletânea para esse ano em dobradinha dom o escritor e tradicionalista Fraga Cirne – outro inestimável membro da ALVI.
Eds
Alma-pampa
Tenho n’alma vastas campinas
Cingindo margens de rios!
Tenho vertentes, calafrios
De ventos que dão laçaços,
Sangas, e pássaros erradios,
Que cortam livres espaços!
Tenho n’alma, tiros de laço,
Rodeios e marcações,
Desgarradas recordações
Bordando orlas de açudes.
Tenho n’alma, pedras rudes,
Dores que imprimem fendas,
Mas tenho também as rendas
Suaves, dos sentimentos.
Tenho n’alma, acampamentos,
Espaços cheios de luz,
Festas, congraçamentos,
E a poesia que seduz.
É uma alma descortinada,
Larga, como as coxilhas,
Feita de ermos e maravilhas,
Esta alma que descampa.
Tenho, sim, uma alma-pampa
De saudades andarilhas!
(Lúcia Barcelos)