Espontaneidade! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 11 Agosto 2015

 

2015 – 08 – 11 Agosto – Espontaneidade – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

Espontaneidade

 

O

lhe-se! Sente-se progressivamente robotizado? Ou ainda se conserva natural e espontâneo? No evoluir da humanidade, os povos desenvolveram calendários para marcar suas efemérides ou simplesmente datas especiais. O império romano universalizou a marcação do tempo. Talvez até acreditasse que assim dominaria ou domesticaria o tempo como realizava com outros povos pelo poder de seus generais, suas legiões e seu modo de vida. Doce quimera! No entanto as pessoas passaram a identificar melhor até a data de nascer e de morrer. As pessoas viajavam, emigravam, iam combater em terras distantes e lá plantavam novas raízes e assim novas famílias. E a origem? A Igreja divinizou os dias do calendário com suas datas santificadas e dignas de comemorações. Isso se estendeu às famílias plebeias. E os aniversários deixaram de ser festivos somente aos ricos e poderosos.

 

Cr & Ag

 

No entanto, a roda do tempo jamais deixa de girar e as necessidades das pessoas são “pessoais” (perdão pela redundância escolhida). O comércio aproveitou e criaram-se dias festivos para tudo e para todos. Isso auxiliou as pessoas a demonstrarem seus sentimentos com datas predeterminadas. Quando a vontade de olhar, sentar junto, conversar, abraçar, beijar toca nosso ser, podemos deixá-la bem guardadinha em algum lugar da mente ou do coração e permitir que se exteriorize no dia do amigo, no dia do aniversário, no dia… Olhem que maravilha – sem culpa! Pois isso é normal e todos fazem assim – expressamos. Até amamos a humanidade quando nos conectamos numa rede social. E nos contentamos em ser amados ou lembrados naquele belo e cintilante dia mesmo que a espontaneidade não exista mais.

 

Cr & Ag

 

As mais belas obras literárias ou artísticas brotaram da espontaneidade. Até a sexualidade foi domesticada – “toma o comprimido, em 30 minutos o pênis bate continência e está apto ao combate”. Com data e horário de início e fim. Um ato de amor e com muito amor, para muitos se degenerou numa troca garbosa de fluidos e quando não filmado e documentado para exposição virtual – “somente entre nós!”. Os templos esportivos, da cancha atlética, das piscinas aos gigantescos estádios de futebol – vejam como na Europa os estádios lotam! – buscamos a espontaneidade do grito de vitória ou o berro de dor que a derrota nos avassala. Ali ainda buscamos nossa identidade humana com algo que é intrínseco, interno, íntimo e do âmago de nossa humanidade. Ali os sentimentos florescem e afloram num aluvião. Ali nos permitimos odiar e amar, mesmo aos nossos mais próximos amigos ou familiares. Ali deixamos de lado por certo tempo a robotização crescente de nossos sentimentos e a manifestação de nossas emoções.

 

Cr & Ag

 

Não possuímos o que amamos e tantos se sentem plenos ao amar o que acreditam possuir. Amor? A vida é um contínuo evoluir em desapego. Inclusive dela própria, quanto o mais de datas, posses, presentes e do poder que inebria e corrói nossas sensibilidades, amortece nossos sentidos e sentimentos e embrutece nossa alma. Nada é perfeito. Somos imperfeitos. Sofremos com nossas dificuldades em melhorar, evoluir e “amar” sem datas programadas. A idade será sempre um adversário. Na infância somos incapazes, na juventude, acreditamos na “vida eterna”. Na vida adulta “não temos tempo para isso” e quando os anos pesam, estamos como a árvore velha que pouco ou nada se verga…

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