O Inverno da Alma – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 04 Agosto 2015

 

2015 – 08 – 04 Agosto – O Inverno da Alma – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

O Inverno da Alma!

 

O sol primaveril em pleno Agosto do inverno do ano doloroso de 2015 entra docemente entre os braços das cortinas e vem agulhar meus olhos. Ainda quero um derradeiro cochilo. Talvez um sonho a embalar ou na preguiça matinal deixar a mente rolar entre os lençóis e respirar no travesseiro tantos momentos, tantas estradas, tantas passagens belas muitas e outras para reforçar nosso espírito no tempo da existência. O clima mudou e as pessoas mudaram. Os cenários mudaram, no lugar dos dinossauros prestes a nos devorar outras criaturas também ameaçam nossa vida. E a vida de nossos familiares. E das pessoas amadas. E daqueles que não conhecemos pessoalmente, mas nos solidarizamos com suas dores e perdas nos noticiários ou na vastidão das redes virtuais.

 

Cr & Ag

 

Há pessoas demais no planeta? Estamos confinados numa ilha cercada de magníficas estrelas, sóis de todos os tamanhos, mundos a explorar, mas literalmente presos numa casa magnífica que tornamos cela ou presídio para uma humanidade que se autoconsome e que no último meio século destruiu mais o planeta que nos de milhares de anos  passados. Está no nosso DNA – Destruição Nos Atrai! Cientistas, ali nas pestanas do século XXI, diziam que nossa nave suportaria em equilíbrio uma população de 2 a 2 e meio bilhões de pessoas. Navegamos com cerca de 8 bilhões de seres humanos uns e outros nem tanto. Continuamos guerreando por mais poder, por ideologias sinistras e fracassadas, por religiões que um deus quer esmagar os deuses dos outros ou seus adeptos. Nada nos satisfaz. O consumo de bens ou utilidades materiais e o consumo do ser humano crescem e os corações embrutecem. Faraós atuais acumulam riquezas numa voracidade que fariam dos dinossauros uns meros predadores de categoria inferior. Qual o caminho? Solução?

 

Cr & Ag

 

Somos seres de amor e de ódio. No instante que uma criança diz para sua mãezinha: – “Quero que tu morra!” – por alguma contrariedade ou decepção, realmente o seu coração e sua alma desejam aquilo. No entanto, dispara-se um gatilho de dor em seu interior e o receio e o medo absoluto de que sua mãe realmente venha a morrer, gera-se um sentimento doloroso, a culpa. Logo o amor contido se extravasa num abraço, num beijo, num choro ou em palavras. Nós seres comuns desse mundo somos inundados e vários são consumidos por ódio. Mas também alimentados, nutridos e acalentados pelo amor. Somente cada um de nós tem o poder divino de optar por qual sentimento ou caminho persistir na sua jornada. Acredito que há criaturas que nascem absolutamente malignas, na sua essência e não se permitem crescer no amor. Seu horizonte será de dor e dominação, posse e poder e o inverno persistirá em seus corações enquanto não desejarem que os raios luminosos do amor modifiquem sua existência. Entenda que não expressamos aqui somente o amor físico, o amor fraternal, o amor paternal, entre outros entendimentos, mas uma modalidade, uma forma, uma essência plena de pureza e absoluta no universo que tem em Cristo o seu modelo.

 

Cr & Ag

 

A transitoriedade do inverno com suas dificuldades e dores tem sua necessidade de entendimento e de aprimoramento e logo seremos despertados de alguma sonolência ou de um coma de sensibilidades alteradas ou quase apagadas e nossas memórias sentidas ou ocultas nos ajudarão a despertar mais alguém. Você já abraçou alguém hoje somente por amor? Espera alguém tomar a iniciativa? Ou algum ser da natureza que nos cerca, protege e nutre? Comecemos! A reação em cadeia necessita de uma primeira explosão. E que seja de Amor!

Disinganno - por Franchescko Kvirolo - 1757

1757 – DISINGANNO – por Franchescko Kvirolo – totalmente em mármore

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