Quanto vale a sua vida? – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 15 Setembro 2015.

 

2015 – 09 – 15 Setembro – Quanto vale sua vida – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Quanto vale a sua vida?

 

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ara entendermos certas coisas precisamos de um exercício mental, uma musculação na lógica e na matemática que nos acompanha e até atemoriza. A primeira ideia é de que “a vida não tem valor”. Observem que aqui se desencadeia o duplo sentido. Para o criminoso no “exercício de sua profissão” (muito importante no contexto social e amplamente defendida pelos direitos humanos do criminoso) a vida da sua vítima é algo chamado de dano previsível ou efeito colateral. Ao cidadão com o filho gravemente enfermo em seus braços e correndo pelos postos de saúde e emergências lotadas sem um atendimento necessário e eficaz, a vida é tudo e trocaria a sua pela dele sem pestanejar. Outros entendem que o rico e o miserável valem diferentemente. Os poderosos tratam-se nos melhores hospitais e os pobres ficam entregues à demagogia e aos mitos repetidos à exaustão ou na esperança de uma nova CPMF salvadora. Vida é poesia, e arte, encanto dos escritores e dádiva de Deus. Quanto vale a vida de um brasileiro? Um cidadão comum como eu e você. Não sabe? O governo brasileiro sabe! Pegue um documento de propriedade de veículo (DUT) e leia no verso: R$ 13.500,00. A invalidez permanente vale o mesmo – R$ 13.500,00. Agora você sabe quanto cada um de nós vale e leia um pouco mais e verificará que terceirizaram o valor da nossa vida.

 

Cr & Ag

 

Esse governo que nada viu e nada sabe também terceirizou a nossa saúde entregando-a para estrangeiros de qualificação incomprovada e suspeita, pois é mais útil para a ideologia amamentar e nutrir o governo cubano do que colocar brasileiros aprovados em concurso público e com planos de carreira para tratar brasileiros. Morrem mais de 60.000 brasileiros anualmente, durante e no tempo imediato de acidentes de trânsito. Uma quantia não revelada morre tardiamente das complicações. Corpos, mentes e espíritos mutilados vagam dolorosamente embretados em ônibus, vans, ambulâncias e cadeiras de rodas. Não terão batedores de escolta, helicópteros ou as UTIs e suítes do Hospital Sírio Libanês ou equivalentes – jamais os genéricos, se me entendem! Os sobreviventes tentarão buscar o seguro DPVAT de R$13.500,00 na burocracia maligna e na lerda justiça e logo estarão vegetando na humilhação da aposentadoria do INSS e estampados no Jornal Nacional em pronunciamentos dos “entendidos” de que eles são “a causa da desgraça das contas públicas”.

 

Cr & Ag

 

A culpa é do motorista” – é o refrão do hino tétrico e satânico que permite formação sumária para conseguir carta de motorista (habilidade em dirigir? – talvez bem mais tarde), justiça leniente e até conivente com o poder,… a lista é longa. E estradas obsoletas e sem a mínima e necessária manutenção. Quando fazem algum remendo com uma “moussé de chocolate negra”, a sinalização tarda e quase nunca aparece e as simplórias faixas pintadas no piso ou as placas pichadas dos acostamentos favorecem as mortes e mutilações. Você que teve a coragem de acompanhar-me até aqui está constatando que é mais barato para o governo brasileiro pagar algumas indenizações de R$ 13.500,00 do que cumprir sua obrigação legal e constitucional. Isso é custo benefício? Quer dar outro nome? Não, você não é um Zé Ninguém! Você é importante! Você é um Zé do Voto e uma Maria do Voto! Você ainda não sabe o poder da sua arma, mas muito dessa escória que elegemos e até idolatramos sabe e teme. Quem tem, temer! Se você ainda transpira sangue para pagar plano de saúde, escola particular, vestir-se e comer, água e energia elétrica mais cara que o preço da morte brasileira e ainda trabalha cinco meses do ano para sustentar a roubalheira como fratura exposta no Mensalão e no Petrolão, fique esperto e olhe nos olhos de sua família e saiba quanto valemos em real para a real elite brasileira. A mesma elite que se alimenta de consultorias, palestras, salta das estradas acidentadas para jatinhos executivos de empreiteiras, das moradias pagas sofridamente em trinta anos para coberturas de cinema e condomínios de luxo. A elite cujos filhos tornam-se gênios dos negócios com o advento iluminado dos pais ao panteão das poderosas divindades no governo e nas estatais. Então, “se toca meu”, como diz um amigo motociclista: R$ 13.500,00!

 

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