Desengate, Ferro na Boneca, …–A Língua do Povo! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 22 Setembro 2015

 

2015 – 09 – 22 Setembro – Desengate, Ferro na Boneca – A língua do povo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br

 

Desengate, Ferro na Boneca,… – A Língua do Povo!

 

U

samos e, por vezes, até abusamos das expressões coloquiais. Não pelo temor de ser visto como pernóstico, mas pela facilidade e fluidez do entendimento. “Vox populi, vox Dei”? Cada região e cada época no seu tempo e realidade as empregam e logo ali adiante, com a passagem dos anos, elas tornam-se “desempregadas”. Observe atilado e-leitor que os nomes pessoais abundam (em todos os sentidos!) conforme as novelas da TV ganham ibope ou notoriedade, mesmo que transitório como amor de carnaval. Na minha infância e juventude era correntemente usado “desengate”, por exemplo. Minha mãe, a dona Dora, alertava: – Não fala assim guri. Assim é feio! Mas o Edinho do Cabeleira não compreendia o porquê do “feio”. Logo a usava com os amigos e longe da minha mãe. Um dos meus tios que eu amava muito, o Zé Uia, e que já estrelou diversas crônicas, tinha seu vocabulário com o emprego constante de diversas dessas expressões populares e que muito assistíamos encantados os seus “discursos”. Ao que a dona Dora alertava: – Teu tio já é homem feito e fala do jeito que quiser e guri tem que aprender o certo!

 

Crônicas & Agudas ou Cr & Ag

 

Desengate” significava sair de uma situação ou de um aperto e partir para algo melhor ou novo. – Bah meu, larga dessa mina. Essa mina é que nem corrimão de ônibus, qualquer um chega e enfia a mão! – alertava o mais experiente. – Cavalo lerdo e mulher ligeira, ninguém segura, ninguém busca! Desengata meu!”– outro amigo. – Isso não é trabalho, já é uma escravidão. Te desengata! – Vê se estuda e sai dessa, te desengata e vê se não roda de novo! – assimilaram o golpe do “desengate”? Ao jovem, o imediatismo e o atropelo das emoções e das vontades torna o raciocínio pesado e até desnecessário. Veja como a grande maioria dessas expressões tem algum fundo sexual. Como quase tudo na vida humana e animal. Sexo e poder, poder e sexo! Inclusive oculta nas siglas partidárias. Duvida? Veja: PT – Poder e Tesão! Analogia livre. E desengate estava nesse leque observado pelo catolicismo de minha mãe, mesmo que ela nunca tenha me decifrado o “feio”, mas ali estava a busca da virtude moral.

 

Cr & Ag

 

Isaac Newton estava dormitando sob uma macieira, entre cochilos e roncos, eis que senão quando uma maçã vermelha como a face ruborizada de uma branquela envergonhada ou como a camiseta colorada lhe caiu à cabeça. E foi nesse sopapo vegetal que lhe aflorou a Teoria da Relatividade. E nada mais foi como antes. Nem para as maçãs vermelhas e nem para os dorminhocos!” – T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse. Pois foi num desses “eis que senão quando” (ansiava usar essa expressão) que flagrei o interlúdio amoroso de um cão e de uma cadela no calçadão central. Floreios e preliminares. E… entende? Ato consumado, amores consumidos. A cadela roda a cabeça e lança sofridos olhares. O cão, antes atlético e heroico, com um olhar triste permanece atrelado, unido, ligado ou… engatado na fêmea. É o pedágio que a natureza cobra, desde os tempos da cobra no Paraíso. E deslindar “Ferro na Boneca” torna-se desnecessário e fastidioso agora.

 

Crônicas & Agudas – Cr & Ag

 

O Brasil está ferrado do primeiro ao quinto (alusão ao jogo do bicho), literalmente engatado no maior esquema de roubalheira e corrupção da história desse país e da maioria dos países democráticos. A fala de Hélio Bicudo, fundador do PT, e do Ministro Gilmar Mendes, da mais alta corte de justiça do Brasil, escancara a indignação de uma autoridade com longa experiência de vida e de combate e possuidor de informações que nenhum de nós sequer imagina. Como será esse doloroso desengate com o PT e seus associados? Será que Ferro na Boneca seria o impeachment desejado pela maioria dos brasileiros? A ladroagem aposta na memória curta e na fidelidade religiosa, assim como no limitado entendimento, no escasso e simplório raciocínio, na conversão regiamente paga de “intelectuais” e de segmentos da imprensa e formadores de opinião e coloca a culpa no sofá (inimigo externo ou “elite”, capitalismo, ianques, etc). E você e-leitor?

Governo come nosso dinheiro

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