2015 – 10 – 27 Outubro – O lobo mau e as experiências da vida – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
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O lobo mau e as experiências da vida!
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m antepassado do Danilo, do Haroldo e do Sílvio Boca, muito antes do avô Olímpio, insistia que “sou tão velho, mas tão velho que quando eu vim de Portugal para o Brasil ainda não tinham feito o mar”. Fluía um sorriso maroto enquanto observava o espanto da plateia. Num desses tempos ancestrais, quase jurássicos, os avós, pais e professoras liam estórias para as crianças. E as ajudavam a interpretar. E entender. E a contar para outras crianças. Os três porquinhos e o lobo mau fazia uma dessas fábulas. Quem desconhece que consulte o oráculo Google. No estudo da homeopatia e dos florais há medicamento específico para “quem não aprende com as experiências da vida”. Para segmentos da espiritualidade e da filosofia acreditam-se que a reencarnação acontece pela nossa necessidade de evoluir através da conscientização e do entendimento de nossos erros. E a sua não repetição. A Medicina sempre busca a prevenção antes da desgraça consumada, daí as vacinas e toda a gama da Medicina Preventiva, como o “outubro rosa”, o pré-natal e o exame de próstata.
Cr & Ag ou Crônicas & Agudas
Nas adversidades ambientais há quatro fases: predições climáticas, tormentas/desgraças, solidariedade e conscientização/prevenção. Sabemos que não basta a solidariedade com o drama que se abateu sobre dezenas de milhares de pessoas com o infortúnio climático atual. Até desprezemos ao aprofundamento técnico com o fenômeno El Niño para sabermos que irá se repetir. Infelizmente! A tragédia está mais do que anunciada, no entanto o poder público é deficiente e sempre arde no bolso do cidadão. Há flagelados de carteirinha que esperam há “três décadas” e “dezenas de protocolos” as soluções que tardam e não vêm conforme a necessidade. Piora: o aumento populacional desordenado, a ocupação de áreas “verdes” (que nunca amadurecerão), o lixo fora do lixo, as construções precárias e inadequadas para nossa região… O clima é o lobo mau da estória, que revida pela devastação. Quantos seres humanos seriam os porquinhos da fábula? Qualquer granizo e ventania (várias vezes ao ano!) há destelhamentos e furos no telhado. As telhas que usamos devem ser as mesmas do Nordeste seco e tórrido, logo sem as normas técnicas adequadas para sua venda e uso no Estado. Assim como as paredes de tijolos de cutelo. O Uruguai faz diferente com clima similar.
Cr & Ag
E faltam lonas pretas toda hora. Sendo ideal para alguns comerciantes e políticos que se empanturram e materializam na desgraça alheia e se eternizam nas promessas raras vezes cumpridas. O saudoso mestre de obras João Bueno sempre colocava uma lona plástica por baixo das telhas para prevenir goteiras em sua sabedoria na escola da vida. Existe uma cartilha, um manual que ensine aos humildes a construírem melhor com seu escasso dinheiro, para que não terem que reconstruir a cada nova tormenta? Desconheço! Os ribeirinhos da Amazônia recebem dos “antigos” e dos religiosos as melhores práticas. O ranchinho perdido no sertão nordestino sabe construir uma cisterna. Ninguém aceita uma extração dentária sem anestesia ou parto com dor, hemorragia e risco de perder-se mãe e filho. A vida deve ser menos dolorosa, mas o lobo continua vindo e com as mais variadas pelagens e até discursos. Ou começamos a aprender ou continuaremos sofrendo e necessitando da solidariedade para nossos males e nossas dores.
Espero que ninguém seja tão obtuso ao ponto de ofender-se com analogias, mas o alívio ou supressão da dor, do sofrimento, dos desconfortos do corpo e da alma e a leitura de uma existência mais feliz, com maior discernimento, mais luz e alegrias para as pessoas que amamos e para a humanidade necessariamente passa por maior entendimento e mudanças necessárias. Principalmente e inicialmente em cada um de nós.