2015 – 10 – 06 Outubro – Fadiga de Combate – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião – http://www.edsonolimpio.com.br
Fadiga de Combate
"Este é um santuário para guerreiros, tirem estes covardes daqui, eles fedem!" – George Smith Patton, Jr.
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m dos maiores generais de todos os tempos, conhecido como “Old Blood and Guts”, foi tão amado quanto odiado por comandados, colegas de farda e políticos. Comandou o 3º. Exército americano na Segunda Guerra Mundial e foi preterido pelo General inglês Bradley para o comando geral na Europa. Coragem sem igual. Caracterizava-se por estar nas primeiras linhas de combate ao lado de seus soldados, muito religioso e acreditava na reencarnação. Libertou milhares de cidades e povoados da Europa num avanço de tropas poucas vezes igualado na história das guerras. Aprisionou e tirou de combate cerca de 2,5 milhões de inimigos. Visitava aos hospitais de campanha, tinha por hábito sentar ao leito, conversar e orar com feridos, escrevia cartas pessoais às famílias de seus soldados, estranhou então que várias camas eram ocupadas por homens sem nenhum ferimento, até jogando cartas ou conversando. Tinham diagnóstico de “fadiga de combate”. Há controvérsias que tenha esbofeteado um militar com suas luvas nessa ocasião. Mas a história registra a sua frase acima num hospital do front de Palermo.
Cr & Ag
Alguns médicos e terapeutas empregam essa expressão para caracterizar pessoas que ao curso da sua vida por enfrentarem situações angustiantes, estressantes ou de trabalhos físicos e mentais exagerados para suas capacidades estejam acometidos de “fadiga de combate”. Próximo ao fim de mais um ano em que somente alguns sabem que seu emprego e salário está garantido e a maioria dos brasileiros vê a “bonança” alardeada pela propaganda governista transformar-se em tristeza e desesperança. Logo ali está o Dia das Crianças. Sabemos e desejamos que realmente uma criança habite cada um de nós, com a sua esperança, simplicidade e raias de pureza infantil. Acalentamos a mentira que “não sabia” ou “vai corrigir” ou talvez que a culpa fosse do sofá, da conjuntura, dos outros e continuamos entregando “à Deus, que Ele vai ajudar”, quando pouco nos ajudamos. Afinal ele é brasileiro e foi visto doando um estádio ao Coríntians e distribuindo benesses pelos BNDEs da vida.
Crônicas & Agudas ou Cr & Ag
O cenário – família encarcerada num automóvel retornando do litoral com criança com febre alta e gastroenterite. Vômitos e diarreia. Desidratação. Já sem o soro ou água. Centenas de veículos engavetados sem nenhuma possibilidade de andar. Talvez outros carros com enfermos ou outros problemas. Lá à frente uma manifestação de “funcionários públicos” contra o parcelamento dos salários e outros eternos etecéteras. A mãe sai do carro com o filho nos braços, outras pessoas acodem. Telefonam. A desgraça parece não ter fim! Tempo depois a criança desfalecida é atendida por um médico também preso pelo protesto. Toda e qualquer simpatia dessa família e de outras com os manifestantes acabou com a frase do pai: – Eu pago meus impostos, sou carneado pelo governo, nunca soneguei e nem roubei, não recebo nem o básico do governo e dessa gente, quantos safados e parasitas nos cargos públicos… O problema é deles, mas não vou desejar que os filhos deles passem o que o meu passou.
Junte-se à insânia de brasileiros sobreviventes da violência, da criminalidade disseminada e protegida pelos direitos humanos dos marginais, das escolas sem aulas, da educação de péssima qualidade que jamais será resolvida com salários em dia ou maiores, dos hospitais sem vagas e dos ambulatórios como corredor da morte e da desesperança de ver o Brasil que deixaremos para nossos descendentes. Mas como lá no início – jamais deixar de combater e lutar por dignidade nos lares e nos organismos públicos. Essa é a guerra de cada um de nós, sem nos escondermos na criança que nos habita ou na fadiga de combate.