De barraca armada – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 29 Dezembro 2015

 

2015 – 12 – 29 dezembro – De barraca armada – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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De barraca armada!

 

Série: O humor não tira férias.

 

H

oteis caros e lotados. As opções para um descanso no corpito resumem-se em acampar na casa de algum parente, quase-parente e até fazer uma fé num de pouco afeto, pois sabe-se lá que a criatura não vira candidato um dia. E voto é ouro! E a derradeira para uns e a primeira para outros: a barraca. A barraca resgata nossa humanidade primordial, jurássica até. Talvez a primeira casa do casal Adão e Eva ao integrarem o MSP – Movimento dos Sem Paraíso – fosse uma idílica barraca no costado de um riacho gingando entre pedras e com as estrelas de plateia, encomendando o Caim e o Abel. Ou caindo uma tromba d’água com raios e trovões de arrepiar lombo de tartaruga e o Adão excomungando a Eva e a Cobra. Pois um amigo adepto do barraquismo evoluiu até chegar numa barraca com dois quartos, sala, cozinha, varanda, luz de gerador, chuveiro quente com bomba pressurizadora, ar condicionado e outros requintes. – Até o Lula se daria bem com a dona Marisa numa mansão dessas, dizia-me. Tudo carregado num reboque junto com seu barco. Toda essa tralha e essa evolução que faria cigano urinar no banheiro foi pensando nela. Ela! Sua amada! A mãe de sua prole! A dama da sua festa! A deusa dos seus devaneios!

 

Cr & Ag

 

Edinho de Deus, a gente que é macho nem precisa disso tudo, mas a mulher tem que tomar banho todos os dias e no chuveirinho quente. Pra nós no máximo uma vez por semana, não é? Mosquito nem pensar. Banheiro perfumado. Ela vai para não fazer nada, eu faço tudo. Mas a nega dá uma manobra e arranja um jeito de não ir. A sogra adoece de cara. É só falar em acampar e algo de ruim… algum empecilho surge. Meu pai avisava que mulher e cavalo xucro tem lado de montar. Então dou o desconto. E vamos se quarteando, dois ou três hotel e uma barraca. Pra hotel tenho que levar um estoque de Cialis e chego no acampamento e estou de barraca armada! (Risos)

 

Cr & Ag

 

Acredito que o cara do moto home anda nessa balada. Tudo para levar a nega véia com conforto para um ninho de amor e de alegrias com a natureza por testemunha. Nem sempre é assim. Outro casal de amigos iniciou-se curtindo barraca e camping. Como a maioria dos casamentos, no início é tudo festa. O sexo rola até sem deitar, mas com o passar do tempo… Voltavam contando maravilhas dos seus acampamentos e dos campings ‘melhores que a maioria desses hotéis por aí’. Não há barraca sempre armada. E logo: – Pô Edinho que feriadão do cão. Choveu pra cassetete. A sogra empanzinou-se com uma maionese e foi aquela correria, por cima e por baixo, do plantão do SUS para a farmácia. A velha já andava de fraldas. E afrouxava as pernas ameaçando desmaiar. E nega fazia um H junto e era uma muvuca só. Quando melhorou a velha, o cunhadão foi tirar uma onda com a gatinha dum baita negrão de camiseta do Colorado… só não apanhou mais porque chegou a turma do ‘deixa disso, esse magrão não vale um peido, pega leve que ele é bunda mole’… Eu? De longe só olhando, o cara podia ser segurança do Lula, meu!

 

Cr & Ag

 

Ficamos por aqui. Vou dar uma força para o assador. Acabou o pão com alho. Cerveja na baba. Acabou o salsichão. A camionete do compadre quebrou a laje do sumidouro e afundou a frente. A carne não vai dar nem para a metade dessa tropa que continua chegando. A nega grita: – Entupiu o banheiro! O aspirante a genro do quase primo armou outra barraca no cantinho da garagem e está mais de uma hora enfiado lá dentro com a rapariga gritona. O Zé da Bombacha chegou do banho de mar, com a bombacha arregaçada acima dos joelhos e com a carneadeira palitando os dentes. É praia! Ano Novo! Sobrevivemos ao Lula-Dilma e seus parasitas. Escapamos do Sartori. Tudo é lucro!

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