Era uma vez… – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – 19 Janeiro 2016

 

2016 – 01 – 19 Janeiro – Era uma vez – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Era uma vez…

 

D

iz a sabedoria popular que “recordar é viver novamente”. Para o bem e para o mal. Para a alegria e para a dor. Há a necessidade de transformar a dor de vivências passadas em ensinamentos evolutivos – aprender com a dor! O tempo é uma morfina poderosa e quantas dores físicas tornam-se alegrias esplêndidas? Usamos na linguagem coloquial, do dia a dia, do jogar a conversa fora, do bater papo e do gastar o português a expressão “é um parto” ou “é uma dor de parto”. A simbologia do parto como dor e sofrimento embala os inconscientes como algo que… somente uma mulher para aguentar! Quantas me diziam nos plantões varando as madrugadas no ancestral Hospital de Caridade de Viamão: – Com esse eu fechei a fábrica! Chegou pra mim! No entanto, lá estava ela novamente comigo em um novo plantão e o choro magnífico em sua vitalidade e beleza de um novo ser para o universo.

 

Crônicas & Agudas

 

Tenho três primos de nome Sílvio. Tem o Sílvio Boca, o Sílvio Tibirro ou Negrinho e o saudoso Sílvio Penico, precocemente falecido. É uma redundância afetiva, pois sempre será cedo demais alguém que amamos sair de nosso convívio. Essa semana um argentino esqueceu a mulher num posto de gasolina na estrada de Uruguaiana. Somente deu pela falta após uns 100 km rodados, com a polícia no seu encalço. Não me perguntem “onde fica o Alegrete” para saber o que deu na telha desse castelhano. Foi aí que lembrei do meu primo Sílvio Penico e uma de suas viagens para a praia no verão gaudério. A ERS (Estrada Ruim Sacanagem) 040 era um pouco pior do que agora com seu piso de terra e poeira de cuspir tijolos. Ficava-se costumeiramente ali onde hoje é a Padaria do Bianchi, chamava-se o ‘ponto de figueira’ da Petisqueira do Idalino negaceando uma carona. O ônibus Palmares era caro e… muito caro. A viagem durava umas 4 horas se a viatura aguentasse. Então o Penico e outro colega sudorento conseguiram carona numa chimbica (N.do C.: denominação genérica de camionete pré-sucata; fumbica, etc.) de um vendedor de bolachas e sua esposa inquieta e conversadeira. Idosos. O velho grudou o pé no assoalho e a camioneta pulava e saracoteava na buraqueira. Os dois rolando entre os sacos de bolachas. A velha querendo todo assunto e o velho já azedo com a mulher. Eis que ela começou a perguntar: – Que bicho é aquele marido?Garça, respondeu pelo rabo do olho. Depois da terceira “garça”, qualquer pergunta da mulher ele respondia de soco; – Garça! E assim foi essa balada até descerem na rodoviária do Calixto Allem, em Pinhal Beach. A interpretação teatral do Penico era algo que desbancaria o Cuoco na Globo. Ria-se de chorar!

 

Cr & Ag

 

Era um tempo em que se piscava o olho para ensaiar um namoro. E geralmente da piscadela d’ olhos ao contingenciamento (fui fundo nessa!) matrimonial era uma estrada longa. Muito longa! Uma viagem. O interlúdio dos lençóis exigia “até que a morte os separe”. Alegrias e dores. Dificuldades e realizações. Era uma época em que as mães sabiam quem eram os pais de seus filhos sem o teste de DNA e que droga era uma chimbica velha numa estrada poeirenta e sacolejante, mas com final feliz. E a Dilma era uma moça educadíssima, colega de minha irmã Shirley, e irmã do Delmar Fim-Fim.

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