2016 – 02 – 09 Fevereiro – Um homem sem mulher – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
http://www.edsonolimpio.com.br
Um homem sem mulher…
|
N |
ão enveredemos necessariamente pela conotação da sexualidade. Uma amiga idosa dizia-se “esgotada, sem mais forças” para cuidar do seu esposo. Também idoso sofrera um acidente com fraturas de perna e braço entre outros sofrimentos. Ele “necessita de mim para tudo, dar banho, fazer as necessidades, ajudar a comer,..”, dizia-me. No entanto, apesar de sua condição econômica permitir contratar alguém para auxiliar ou até que as filhas se dividam na “luta” ela entende que não. Observe como isso é frequente no universo humano dos relacionamentos e do afeto. Há o compromisso matrimonial de uma era em que “na dor e na alegria” ou “até que a morte os separe” não era somente uma figura de retórica. Era um mandamento de honra interior, da dignidade da vida entre quem deveria repartir o bom e o ruim. Muitos dirão que isso acabou. Realidades dispersivas em que cada um cuida do seu.
Crônicas & Agudas – Cr & Ag
Teixeirinha, o célebre gaúcho imortalizado pela sua poesia vertida em páginas musicais e pela sua voz apaixonada exteriorizava suas lágrimas ferventes de homem abandonado. Sabia-se de homem de muitas mulheres, mas somente uma musa ao seu lado na parceria da música e do leito, Essa musa, para ele como uma deusa encantada, trocou seus braços e sua poesia por um místico ou enganador. Daí a doença do corpo e da alma. Uma alma estilhaçada busca e até anseia pelo descanso eterno. Certo ou errado? Não existe aparelho nesse ou em outro mundo para dimensionar, medir, pesar ou avaliar os sentimentos de uma criatura. Sem enveredar também pelo atalho do machismo ferido. É da natureza do homem a sua dependência feminina. Nasce de uma mulher. O primeiro alimento do corpo é o leite de uma mulher. Assim como o colo protetor e aconchegante. Cresce cuidado pela mãe, com irmãs talvez. Logo é gerenciado por professora. Uma namoradinha desponta no primeiro alvor da testosterona.
Cr & Ag
A balada vital segue com a namorada. Uma noiva com anel e tudo de direito para os nostálgicos ou mais tradicionais. E desponta uma esposa. E filhas. Sobrinhas. Netas. Ufa! Mulheres por todos os lados e sempre alguma ou algumas para lhe dar ordem, gerenciar sua vida e lamentar-se por ter que lhe cuidar. Prantear-se por sua dedicação e sacrifício. Acha que sou irônico? Realidade. Mas ai de surgir no horizonte, despontar na esquina do shopping ou dos mercados, numa balada, numa praia, uma nova sacerdotisa, uma cuidadora ou qualquer outra denominação ou alcunha da fêmea presente. Quem está não quer abrir a mão e outras anatomias entregando de bandeja seu “sacrifício” para outra. E tão certo quanto um dia se segue de uma noite, vice-versa, outra mulher estará interessada naquele homem. Apesar de seus defeitos do corpo, da mente ou do espírito, uma criatura estrogênica e dotada das qualidades humanas de amor e de dedicação estará no horizonte. Todas sabem disso. Nenhuma mulher duvida com a coragem da inteligência.
Cr & Ag
Dupla via. E pela via das dúvidas jamais se duvide. O contrário é verdadeiro. É da vida. E até da morte. É da essência humana. Um amigo cirurgião-dentista diz-se em “stand-by e a fila anda”. Desde a criação inicial, no barro primordial que Ele moldou e logo com a costela brilhantemente esculpida. Um do outro. Um pelo outro. Um através do outro. As dificuldades de um se completam e corrigem nas facilidades e qualidades do outro. Lamentar-se é humano. Tentar se compreender, analisar-se, refletir e corrigir rotas e mais humano ainda. É buscar a iluminação.
Um toque oriental!