Observação: As orientações jamais devem substituir a consulta do paciente com um bom Médico!
Mitos e verdades da respiração oral
A respiração oral não é caracterizada como uma doença, mas como um reflexo de condições que estabelecem a obstrução nasal crônica. Por sua vez, o padrão respiratório oral pode ocasionar alterações craniofaciais (ósseas e musculares), nas arcadas dentárias, na postura corporal, dietéticas, no crescimento/desenvolvimento, distúrbios do sono com alterações cognitivas e piora na qualidade de vida. Dra. Maura Neves, otorrinolaringologista, elencou alguns mitos e verdades sobre a respiração oral.
Respirar pela boca causa mais gripes e resfriados?
VERDADE: Quando não se respira pelo nariz deixa de acontecer o aquecimento, filtração e umidificação do ar (funções realizadas pelo nariz). Assim, o individuo fica mais exposto a vírus, bactérias e outros agentes nocivos que normalmente ficariam presos no nariz, e que, ao respirar diretamente pela boca entram no organismo.
A respiração oral não interfere na eficiência de um aparelho ortodôntico.
MITO: Ter uma boa respiração nasal permite o melhor funcionamento do aparelho ortodôntico. Isso ocorre, pois o posicionamento da mordida e dos dentes sofre influencia da musculatura da mastigação e de outros músculos da face. “Quando respiramos mais pela boca esses músculos ficam mais relaxados do que o normal o que permite que os dentes saiam de sua posição normal. Caso seja iniciado um tratamento ortodôntico em paciente com respiração oral a eficácia do tratamento será menor.” Explica Dra. Maura Neves.
Crianças que respiram pela boca podem apresentar diminuição do rendimento escolar.
VERDADE: Crianças respiradoras orais têm maior chance de apresentar roncos noturnos e quadros de apneia do sono. Nestes casos as crianças não têm uma qualidade de sono adequada, acordam cansadas, com maior irritabilidade e menor capacidade de concentração nas tarefas diárias. Isso dificulta o aprendizado escolar. Muitas vezes a respiração oral decorre de um aumento de amigdalas e adenoide, conhecida também por “carne esponjosa” ou uma rinite não tratada. É importante observar a qualidade de sono das crianças respiradoras orais e iniciar o tratamento precocemente.
Não existe relação entre respiração e cáries dentárias.
MITO: A respiração oral promove ressecamento da mucosa da boca e das gengivas, além de espessamento da saliva. Isso facilita a proliferação de bactérias, ocorrência de gengivites e caries. Em casos extremos pode ocorrer até a perda do elemento dentário.
É normal uma criança roncar.
MITO: As crianças devem ter um sono tranquilo com boa respiração nasal. As que roncam devem ser avaliadas por um médico especialista para diagnosticar a causa. Na maioria das vezes o ronco nas crianças está associado à respiração oral e um nariz obstruído. Episódios de roncos durante quadros de gripes e resfriados podem acontecer e esses sim são normais.
O respirador oral tem mais dificuldade para se alimentar
VERDADE. A respiração oral dificulta a coordenação da mastigação, posicionamento da língua dentro da cavidade oral e deglutição de alimentos, pois a boca assume a função alimentar e respiratória. Para uma boa alimentação a respiração nasal é fundamental.