2016 – 06 – 07 Junho – Série Estupro – Culpa e/ou Responsabilidade – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
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Estupro – Culpa e/ou Responsabilidade! Parte 1
Creditam-se mais de 500mil estupros anualmente no Brasil, mas os organismos oficiais relatam um décimo desse número estarrecedor. Pois incontáveis as mulheres que por vergonha, medo e outros sentimentos estão inibidas de denunciar seus brutais sofrimentos de corpo, mente e alma. Crônicas & Agudas traz algo inédito no Jornalismo viamonense que é um tema crucial na sociedade brasileira examinado pelos olhos e pela experiência de profissionais da área médica e cidadãos que trazem as suas mensagens e os seus entendimentos.
Crônicas & Agudas
“Na vida que vivemos hoje em dia, o ser humano convive com inúmeros tipos de violência e desrespeito. Vemos a todo instante a violência contra a natureza e contra os animais, mas nada choca mais do que a violência de um ser humano contra outro ser humano. Entre todas as violências a animalidade de um estrupo, seja ele coletivo ou não, nos deixa estarrecidos com a capacidade humana de fazer mal ao outro, de tomar o corpo do outro sem o seu consentimento, e usá-lo como se fosse um objeto descartável. Como pode ainda nos dias de hoje, quem se chama de Ser Humano Racional, violentar o Eu de outra pessoa, violentar o seu corpo e a sua alma? Que homem se sente autorizado pela cultura a invadir, sem dó nem piedade, o sagrado corpo de uma pessoa para satisfazer o seu prazer? Não há valores morais, não há um código de ética, não há respeito pelo querer do outro? Falta tudo isso e sobra doença.
Então cabe a sociedade refletir como ficará esta jovem que teve seu corpo violentado, seus sonhos destruídos, e que agora deve se esconder e conviver com a devassa na sua autoestima, com a vergonha, com o medo e ainda com a culpa. Como construir a superação deste trauma? Como conviver com este fato que se tornou à força, parte de sua vida? Estes homens não representam o universo masculino, mas trazem à força a lembrança da presença do instinto animal no ser humano atual, e como são exceção, vê-se a doença muitas vezes mascarada de machismo. Somos seres humanos em evolução sim, mas cabe a nós através destes questionamentos provocar o despertar de valores mais elevados para que o Ser Humano compreenda que existe nele também a profunda capacidade de amar e de se reconstruir. ” – Por Virgínia Paccheco Monteiro – Psicóloga de Porto Alegre
Crônicas & Agudas
“O que significa a palavra estupro? “Crime que consiste no constrangimento a relações sexuais por meio de violência – violação”. O estuprador geralmente é diagnosticado como tendo um Transtorno da Personalidade, sua bioquímica cerebral mostra, entre outros, um déficit no neurotransmissor serotonina. Os estudos mostram que uma diminuição dessa substância no cérebro tem sido associada com atos impulsivos, impensados, agressivos, suicidas, etc. O cérebro do estuprador parece ser internamente pouco ativado, levando-o a procurar mais estímulos externos para se sentir bem. O crime de estupro é considerado crime hediondo e como tal deve ser punido de forma exemplar. A questão é como se identifica e tipifica o crime de estupro?
Lembro de um atendimento que fiz a uma senhora, vítima de estupro que me relatou que após ter ido à delegacia prestar queixa, ouviu de um policial: Mas o que tu fazias na rua a estas horas, sozinha? Recordo que ela me disse que naquele momento é como se tivesse sido estuprada novamente. A punição ao estupro deve ser exemplar, as vítimas merecem um tratamento especial, assim como não podemos recair no erro de culpabilidade da vítima, tão pouco na responsabilização por estupro quando as evidências apontam para dúvidas quanto ao que ocorreu. É fundamental que tenhamos o crime caracterizado de forma clara e nos termos de seu conceito e os culpados devem ser punidos, sendo que também é necessário reprimir e condenar a prática, desde que as responsabilidades sejam apuradas de forma clara, para que não haja imputação de crime quando o que ocorreu não está evidente.” Por Dr. Eduardo Dias Lopes – Médico e Cirurgião