Piolhos! E outras pragas. Por Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. 28 Junho 2016

 

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Piolhos! E outras pragas.

Épocas conturbadas. Tempos dolorosos de marginalidade crescente e avassaladora. As pessoas saem de seus lares com a terrível sensação de que poderão não retornar. Escolas fechadas. Invasões. Anos, mais anos perdidos de educação precária e resultados previsíveis de um futuro incerto e sabido. Todos conhecem o resultado no bolso de uma torneira pingando, de um vazamento insensível, da eletricidade em curto, esvaziando aos pouco, pois o Ministério Público e a Polícia Federal descobriram novo esquema fraudulento nos empréstimos consignados e sabe-se que outros desdobramentos dessa teia macabra que na ponta da corda, como o enforcado no cadafalso, está a saúde pública. A soma de centavos ou poucos reais mensalmente, anualmente, por uma década gerou fortunas monstruosas para criminosos. Não parece haver ou sequer descortinar-se um final para essa doença maligna que se apoderou do Brasil. Infelizmente.

Crônicas & Agudas

Na minha infância no Grupo Escolar Setembrina e depois no Ginásio Bento Gonçalves as preocupações eram outras. Diferentes das atuais. Havia professoras e professores respeitados pelos alunos e pelas famílias e que se faziam respeitar. Exigia-se do aluno disciplina e resultados com provas (sabatinas e exames) e aprovação. A escola formava pessoas de bem e para viver em sociedade. Trabalhando e com famílias. As infestações e pragas eram de piolhos, pulgas, bichos-de-pé ou alguma muquirana. Certa feita, uma diretora que gostava muito de passar a mão na cabeça da criançada levou um susto. Um guri muito sapeca cochichou-lhe: – Ela está minada de piolhos diretora. Chega a pingar a piolhos. Cuidado que pega! A diretora afastou-se num salto. Um tempo e estávamos rolando de rir com a mentira do sapeca.

Cr & Ag

Nossa filha Cynthia era ‘privilegiada’ pelos piolhos. Deviam possuir algum tipo de radar ou GPS para seus cachinhos dourados. Alguma Irmã do Stela Maris noticiava que havia um caso isolado, nem precisava de um surto, e logo estava atacada. E lá se ia a batalha contra o piolho. O Cine Radar aqui no centro de Viamão, nas franjas da Caixa D’ Água seria o local ideal para emagrecer. Perdiam-se alguns quilos durante a matiné. As pulgas quase do tamanho de uma barata digladiavam-se para quem iria nos comer primeiro. Tinha menina que entrava de sapato e saía de botas pretas. Terrível? Muito pior. E chamávamos o seu Gonça, lanterninha e baleiro, para colocar Neocid ou água com querosene nos bichos.

Cr & Ag

Todas as casas tinham gatos. Algumas com vários gatos, gatas e prole para combate aos ratos. A gurizada fazia ratoeiras com latas de azeite ou com a mola na madeira e caçava. Legal era pegar os ratos vivos e depois entregá-los aos gatos. Crueldade? A escola nos mostrava os milhares de pessoas mortas e carregadas nas carroças pela peste, isso despertava a defesa. Um histórico farmacêutico de Viamão, diziam não ser lenda urbana, criava e ‘domesticava’ aranhas caranguejeiras gigantes. Maiores que um prato de sopa – sic. Relatei anteriormente no apoteótico A Negra das Aranhas ou As Aranhas de Itapuã. Tinha um hotel em que a gurizada assistia ao ‘tropel’ de muquiranas ao se retirar a colcha. Horrível e real. E como fediam ao serem esmagadas!

Esse passado remoto e ‘guerreiro’ da gurizada viamonense é de uma época em que quase todas as pessoas que circulavam pela cidade se conheciam. E as crianças podiam atravessar a cidade em qualquer direção, brincar nos matos, banhar-se no rio Fiuza ou no arroio Mendanha. Preparem os seus corações para outra soberba revelação – o Lago da Tarumã era local de pescarias e de banhos. Banhos! Mesma matando vários jovens que se aventuravam com exagero ou descuido. Hoje?

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