Malandro é o parafuso… Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. 26 Julho 2016.

 

2017 – 07 – 26 Julho – Malandro é o parafuso – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Malandro é o parafuso que já nasce de cabelo repartido

e camisa listrada!

O

uve-se que o brasileiro é um ‘solidário’. Há divergências. ‘Solidário’ na desgraça e na ameaça de desgraça, como um modelito de ‘Rouba’ Hood que tira dos outros para dar aos seus está nessa linha? Ou seria nesse caudal. Como soltar pandorga e pipas para ver a casa dos outros pegar fogo? Ou derrubar algum avião com a ‘elite’ dentro? Como o guarda de trânsito de Porto Alegre flagrado com laser tentando derrubar um helicóptero. Ops! Estranham que o cronista enverede por outro ramo da solidariedade? Ser solidário na safadeza? Falamos de flores, mas nunca esquecemos os espinhos e as ervas daninhas. E como tem! A operação Lava Jato estampa essa solidariedade entre os criminosos e assemelhados. A criatura pega cadeia. Confessa parte dos crimes e assume autorias, devolve arcas de dinheiro, entrega quem pode entregar e sonega o nome de que está acima do topo da pirâmide. Os cristãos imolavam-se nas arenas romanas e nas fogueiras da Inquisição por amor à Deus e devoção ao cristianismo. Assiste-se ao inverso. Ao oposto absoluto e negativo.

Cr & Ag

No entanto, esse tipo de brasileiro olha-se como um ‘malandro’. Malandro é um cara legal (para ele), mas que jamais perde. Sempre deve levar vantagem. Alguns descrevem essa personalidade como uma Lei de Gérson. Outros como a Síndrome do Zé Carioca, com perversões que Disney jamais aceitaria. – Esse aí dá nó em pingo d’ água! – dizia o Arigó da Lomba. – Aquele lá amarra cachorro com linguiça e reza missa em enterro de anão! – arrota o Arigó do Fiuza. O samba proclama que o malandro nasce no morro e ensina o vento a fazer a curva e que ‘Amélia é que era mulher de verdade’. Enquanto ele procura a própria ou a Amélia dos outros, sonha com um emprego público. Daqueles que no máximo se pendura o casaco na guarda da cadeira e somente retorna quando a lua está cumprimentando o sol. Um emprego que não dê muito ou nenhum trabalho. Um ‘cabidão’ inexpugnável. E sonhar ainda é permitido sem pagar imposto de renda, pedágio ou ser pego pelo safado pardal. Para o honesto é um pesadelo.

Cr & Ag

Até na lei, ostentam que a Constituição do Brasil assegura ‘igualdade para todos’. Sério! Sério como guri furungando no nariz com o dedinho. Igual mesmo, exceto às castas. Castas? Arregale os olhos. Há quem tenha prisão diferenciada, julgamento especial pelo Supremo, interpretação ideológica, recursos intermináveis, contas em paraísos fiscais, vantagens por raça, cor ou sexo e outros quetais. Isso não é malandragem, é lei. Não importa se é ético ou se há desprezo pelo esforço pessoal e familiar ou se conseguiu pelo mérito numa disputa sem privilégios. – ‘É elite’! Pregam na cruz quem discorda, mesmo oriundo de família humilde, pais que sempre trabalharam e pagaram suas contas e que lutou, suou e sangrou nos bancos escolares e no trabalho muito acima das 40 horas semanais para ter uma melhor condição e transferir aos seus familiares. A vitória pela honestidade e pelo esforço não é um mérito na visão canalha.

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E não foi Fleming que disse: – A verdade como a penicilina dói em cada aplicação, mas cura! (T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse)

Há quem não fique curado, mas todos serão tocados. “A verdade faz bem à Saúde! ” – Sindicato Médico do Rio Grande do Sul. Há que dar voltas, muitas voltas nesse parafuso malandro que se resguarda e retroalimenta na impunidade, no coitadismo genérico, na devassidão da solidariedade abjeta e no culto aos ‘ratos’ e sua proliferação.

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