A parada do Nacional! Eds Olimpio. Crônicas & Agudas. 16 Agosto 2016

 

2016 – 08 – 16 Agosto – A Parada do Nacional – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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A Parada do Nacional!Série Vida com mais Humor

P

ara melhor entendimento aviso que Viamão, a Primeira Capital de TODOS os Gaúchos tem as suas peculiaridades como qualquer cidade. Há veículos sempre em alta velocidade, apinhados de gente, assustando outros motoristas e aos pedestres, chamamos de “Viamão Lotado”. Há quem chame de ônibus ou lotação. Ainda, “roça-e-esfrega”. Pois eles cruzam altaneiros a avenida central e antes do “final da linha ou do ‘paradão” há o Supermercado Nacional, nada de super, ruim de mercado, mas… Vamos em frente. Ali no passeio ou na calçada há uma terra “cosmopolita” com gente de todos os anos, cores e modelos. Nacionais e importados – uruguaios, haitianos, etc. Machos e fêmeas e qualquer gênero conhecido ou a rotular. Um fandango que cada criatura toca e dança a sua música. Ali está o povo! A moeda mais preciosa da democracia brasileira. Não é o “povo” das empreiteiras e condenados da Lava Jato que nos olham acima do topo da pirâmide e nos chamam de “elite”. Ali há um pouco de quase tudo.

Crônicas & Agudas

Nesse agosto de tanto desgosto, alguns candidatos aspiram enfrenar os eleitores e seus cabos eleitorais ameaçam sair no tapa e no puxão de cabelo. ‘Bicicleteiros’ atropelam as pessoas. Uns taxistas discutem futebol e mulher, outros namoram enfezadamente. Criaturas esparramam-se em ‘leggis’ de todas as cores e soltam as barriguinhas chapadas umas, montanhas outras em camisetinhas que jamais pretenderam esconder algum seio. É o furor hormonal primaveril? Outras brigam com a criançada com os braços cheios de sacolas. Já viram uma mulher sem sacola? Um gaudério e bombachudo desafia a coceira pela frente e por trás. Se me entendem. Um magrão de trancinha e barba de bode suspira docemente. As criaturas vendedoras da loja colateral espalham colchões que até fazem os “Viamão Lotado” desviarem e jogam as criaturas: – Exprementa bem! O Arigó do Nacional filosofa: – É uma zona de ninguém, não uma zona morta, pois a vida lateja na via, na veia e nas véias. Talvez um lugar entre San Juan e Mendoza. Ou entre o Céu e o Inferno, um Purgatório? Ou um limbo, um umbral ou um espaço intervidas? Essa apoteose filosófica não limita nem descreve a Parada do Nacional, os sobreviventes sim!

Cr & Ag

Cães moradores de rua espalham-se no passeio hiper-mega-lotado e pulgas do tamanho de sabiás espreguiçam-se ao sol. Vendedores de qualquer coisa, DVDs piratas, meias, arcos e flechas, entalhes, comidas, doces, café e suco, banquinhas em caixas de papelão e madeira – algo como um mercado persa no umbigo viamonense. O seboso e melequento banco do singelo abrigo é disputado na ponta de faca e lapaço de unha. Há momentos que a turma se organiza num tipo de beliche em que um empresta o colo ou a perninha ao outro. Lembram-se do magrão? Sentadinho chega a cochilar suspirando, talvez em devaneios oníricos – ou pesadelos. Esse mesmo afro gigante invocou-se com a propaganda política e berrou: – Olha a Lava-Jato! Outro gritou: – Pega leve meu!

Cr & Ag

Talvez uma Faixa de Gaza? Aturam-se até começar uma peleia. Um pastor tentou colocar ordem no caos e luz na barbárie de uns. Dizem estar na UTE (Unidade de Tratamento Espontâneo) de algum ‘nauseocômio’ do SUS-peito. O prefeito Bonatto hoje, antes era o Ridi e o Alex, sabem onde o parafuso aperta e jamais cruzam a pé naquele território ianomâmi. “Conhecem o perigo e a força do carvão de pedra”, vaticina um especialista em pompas fúnebres – coveiro para outros. Completa: – Quem tem, teme! Viamão tem gente viajada uma barbaridade, que já foi a lugar que nós nem sabemos existir no mapa e avisam que a Parada do Nacional é algo sem similar e nem genérico neste mundo, talvez algo meio esotérico, um portal ou uma fenda espacial comunicando mundos. Uma energia quântica vertendo e se espraiando e será o segundo lugar do Brasil com maior visitação depois do Rio de Janeiro, segundo o ‘Mistério’ do Turismo.

 

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