Sabores da Estrada. Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. 11 Outubro 2016.

 

2016 – 10 – 11 Outubro – Sabores da Estrada – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Sabores da Estrada!

As estradas são como veias e artérias que oxigenam e fluem a vida de um imenso organismo chamado de humanidade, composta por “nós e por eles”, habitantes, povoadores e depredadores da nossa casa, o planeta Terra. Ali, como nos vasos sanguíneos, estão seres que trabalham e cumprem funções de manter o corpo nutrido e equilibrado, mas também seres agressivos, inimigos e maléficos para nossa integridade, como vírus e bactérias nocivas. Nas estradas estamos em carros, caminhões, motocicletas, coisas de tração animal e uma ‘fauna’ de veículos que nos encantam e assustam. Com eles disputamos espaços. Mas com eles convivemos e desfrutamos de bons e de maus momentos, com as regras das leis e com as normas da sobrevivência harmônica. Em Sabores da Estrada, pode expandir a imaginação e resgatar lembranças dos sabores de qualquer viagem, das mais singelas às mais sofisticadas.

Crônicas & Agudas

Lugar (restaurante) de muito caminhão parado, a comida é boa, farta e econômica! ”, diz a sabedoria do estradeiro. Geralmente é uma verdade saborosa. Nessa sofrida profissão de caminhoneiro, dinheiro curto, trabalho exigente, longe da família e outros entretantos a criatura busca um lugar tranquilo para ‘forrar o estômago’ de uma ‘comida que não faça mal’. ‘Óleo bom no bruto (caminhão) e boia boa no bucho’, diz a filosofia de para-choques. Encosto a Morgana e “aí companheiro, legal, beleza, como tá lá na frente”, “pega leve que os homi tão tirando um presunto da faixa preta daí uns 15 km”. “E que tal o rango? ” “A costelinha de porco tá especial e chama uma polentinha no cordão”, acrescenta. Sentamos e veio a costelinha de porco, carnuda e dourada. Perfumada. De comer de mão. E ajoelhado – agradecendo a São Cristóvão ou a algum mestre de Luz que nos protege. A vontade é de esquecer o mundo com aquele sabor da costelinha entre mordidas na polenta cortada com cordão. Suspira-se, pois conversar seria perder um tempo precioso que teria que recuperar na estrada.

Cr & Ag

Rodando na avenida beira mar de Rincão, uma pequena praia do belo litoral catarinense, enquanto uns “azoados fritavam pneus e dando zerinhos” observamos uma turma de carros e motos parados no meio do nada. Ali com um guarda-sol fechado pela inclemência do vento Nordeste estava um humilde carrinho com uma vendedora. Absolutamente nada mais a sua volta além daquelas pessoas e veículos, céu, vento, areia e mar. Uma senhora muito, mas muito idosa preparando e vendendo pamonhas. Pa-mo-nhas! Pamonhas doces e salgadas. Estacionei e observei seu ritual de preparo e venda. Do pano envolvendo os cabelos, do avental branquíssimo, alvo como as asas do Divino ao carrinho brilhando pelo Bombril. As pessoas desdobrando as folhas do próprio milho e comendo com imenso prazer. Alguns nos carros com as portas abertas. Outros caminhando como em círculos – de prazer. Três jovens sentados no meio fio e eis que um terminou e deixou-se cair de costas na areia. Partimos ao ataque, ou melhor, ao abençoamento. Aquele sorriso em sua face encantava as rugas do peso de muitos anos e do sol e do vento litorâneo como se Deus nos mostrasse, nos ensinasse, para que admirássemos e respeitássemos cada vez mais as pessoas e as coisas simples que a vida nos oferece e tantas vezes passamos ao largo. Lembramos sempre daquelas pamonhas e principalmente esse filme da senhora idosa em seu templo com tanta dignidade e prazer em seu ofício.

Relembre! Conte para seu filhos e netos suas magníficas experiências. Talvez amigos e amigas que queiram saber as alegrias da sua alma e que não fiquem pranteando somente as suas mágoas pessoais ou “arrotando” com nauseante soberba algo pessoalíssimo e distante dos mortais, como nós.

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