2016 – 11 – 09 Novembro – Rescaldo do Inverno – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão
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Rescaldo do Inverno!
Outono caem as folhas e sobem as roupas para os andares mais altos dos roupeiros. A indumentária de verão vai para escaninhos longe de nossas vistas. E baixam as roupas mais pesadas e os cobertores para o Inverno. Há que respeitar ao soberbo vento Minuano e ao clima de sobreviventes que ainda tentamos nos acostumar. Eis que o inverso acontece nas franjas da Primavera, que como toda prima é bela e luminosa. Perfumada e convidativa para um passear descompromissado com o clima e um bater de asas libertadoras das casas com cheiro de umidade e mofo. Vem o encantamento com aquela camisa que nem lembrava mais, com a calça azul que ganhei de Natal e com a camisa de grife que poupei e poupei para os dias especiais. Quem não passa ou vive assim? Como as aves, nós mamíferos e outros reptilianos trocamos penas e escamas.
Crônicas & Agudas!
Nada é tão belo e livre que não apareça um sérgio moro da realidade e aponte o dedo indicador de onde pisamos na bola. E condenar a engaiolarmos muitos de nossos prazeres no hotel de Curitiba da boca fechada e das ousadias alimentares, senão orgias gastronômicas. Uma amiga propagandista farmacêutica contou-me que estava experimentando com respiração contida, barriga chupada, pensando em tirar algumas costelas como a famosa artista ou preparar-se para a melindrosa e dramática cirurgia de redução de boca, quando seu hábil esposo apareceu: – Meu bem, as roupas encolheram. Esses tecidos sintéticos não são de confiança, também eles quebraram a Petrobras! Que alento. Esse é um modelito de marido que muitas mulheres pediram ao Criador. A autoestima (dela) sofreu um sacalão positivo, um ‘up’ no ‘love is all’.
Cr & Ag
Pois a esposa estava colocando várias calças sobre a cama para escolher uma para determinado evento. Passei o dia fugindo da briga de provar as calças como o diabo fugindo da cruz e o Lula do Moro – ele novamente! Acendeu-se uma luz vermelha, pois a amarela havia acendido muito tempo antes e em pleno inverno. E apagou ou queimou pela exaustão. Eu passava pelo quarto e as calças me olhavam com ar inquisidor, pensei em recorrer ao Supremo para algum embargo infringente (ou que droga signifique isso) me safar dessa. Não iria funcionar. Anoiteceu. E lá na cama, como a guarda do Palácio de Buckingham, as calças continuavam impávidas. Hora de dormir. Ou trocava de cama ou partia para o tudo ou nada. Seria no jargão do pau de dar em doido uma trocação total. E nos atracamos, sabendo do resultado final. Nada incerto como a pauleira de Hillary Clinton e Donald Trump. Havia passado quase em jejum absoluto durante o dia. Meditei para queimar as gorduras das travessuras. Estava meio desidratado, evitei de tomar meus 2 litros de água de coco. E por falar nisso peço que não espalhem, tomei dois purgantes. Não entrou coco, mas saiu muito…
Cr & Ag
Ainda esperava que algum paciente solicitasse uma consulta de emergência depois do futebol das 22 horas. Nada! Nem um ‘help’ no WhatsApp. Queimei um balde de adrenalina. Minhas suprarrenais quase desapareceram. Babava cortisol. Estresse do cão da Dilma e da mulher do Cunha. Parti para o abraço com a resignação de condenado da Lava-Jato. Devolvi o que pude. Com dor e cólicas. Experimentei a primeira, a segunda, a terceira e uma pausa para secar o suor gélido. Estava 3 a zero para as calças. Fui para a quarta e quinta – quase deu empate. Me sentia o Colorado descendo para a Segundona assassinado pelo Roth e asseclas. A calça azul, presente de Natal, me tirou lágrimas gordurosas. Usei uma ú-ni-ca vez. Eis que dei um vamos parar por aqui, essa é a última do mohicanos. Quando o botão da cintura casou com a fenda do outro lado, foi como a primeira vez (ou seria a última?), soltei um aliviado ou vitorioso Ahaaa! Taí, essa é a única que não encolheu! Não se fazem mais roupas como antigamente. E antes que algum afobadinho e espertinho acuse: – Não tenho pneus! Somente alguma estepe para os momentos de necessidade e ousadia. – Beleza Edinho! Escutei meu anjo de guarda dando força.
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