2017 – 01 – 24 Janeiro – Pensar dói – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão
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Pensar dói!
E dói muito! E dilacera a alma essa passagem quando assumimos a consciência real. A maioria necessita vestir-se com mantos quase impenetráveis, com os coletes de segurança em que o kevlar é substituído pela negação simples ou absoluta, negação muda ou feroz com as armas corporais ou instrumentadas que vão das faixas, panelaços à destruição do patrimônio alheio. Somos seres seletivos da realidade, nada daquilo ‘ruim’ que racionalmente enxergamos nos outros aparece com a mesma pujança em nós. Discorda? Quantas mães lutam incansavelmente na defesa do filho, que é e está no que é pelas ‘más companhias, porque os outros o desencaminharam, porque a justiça é cruel com os desfavorecidos, porque as escolas são ruins e o governo não dá chances iguais para todos’, numa cantilena interminável para o coração de mãe. Mesmo que as imagens mostrem seu ‘menino e membro da comunidade’ esquartejando nos piores rituais macabros como aqueles que se espalham pela internet ocorridos nas prisões.
Crônicas & Agudas
É da nossa natureza e está ancorada no livre arbítrio a necessidade de uns e a fuga dos outros em escapar pela tangente, pelo atalho da negação sintomática – “todos fazem isso”, “sempre foi assim” – e refúgio da covardia. Ou não se necessita de indobrável coragem para enfrentar e assumir as dores da realidade? Dizia um professor de psiquiatria: – O corno é o primeiro a saber, mas o último a reconhecer! E articulava-se mostrando à classe que pensar significar assumir novos entendimentos, romper barreiras internas, desafiar medos e na catarse marejada pelo choro convulsivo encontrar-se com mais Luz e Verdade. Evolução e dor. O conforto de estar numa casa superprotegida, alimentado e tranquilo, eis que o feto precisa romper as barreiras e pelo parto encontrar-se com a luz na continuação da existência, da passagem por mais uma das fases da vida. Nascer e renascer!
Cr & Ag
É a perda do primeiro direito adquirido. Pensaria o feto depois bebê: – Eu não pedi para estar aqui, mas estou pelo tempo, pela lei eu tenho direito a ficar com o que é melhor para mim e não lá fora com risco de fome, frio, inflação e desemprego. E muitos parecem encruados e não querem realmente sair para as adversidades do mundo exterior. Cada um verá o seu umbigo e tenderá a menosprezar as necessidades alheias que lhes possam confrontar. A Lei do Rabo em que cada um protege o seu. Quantas verdades que atritam as córneas, fedem nas narinas, como fel na boca e dor anal são negadas. Compulsivamente! Há sempre uma culpa alheia, perseguição, ciúme, disputa rancorosa ou qualquer epíteto que se use, mas a negação está ali. Homens velhos, pessoas vividas, quantos com cultura acadêmica premiada que mentem e repetem exaustivamente a mentira, talvez até passem a acreditar nela, para jamais reconhecerem seus erros, que erraram nesse ou naquele caminho, nas decisões tomadas, nas idolatrias suportadas e na carga que todos carregam pelos seus descaminhos.
Cr & Ag
Pelas vertentes de várias formações espiritualistas, alguns ou a maioria dos seres que aqui estão terão que ir e vir, nascer ou renascer e morrer, descer e subir, mas que nessa existência serão irrecuperáveis por suas vontades e atitudes. Queremos acreditar que sempre há um remédio e uma cura, mas sabemos que certas curas demandam várias gerações. Quanto do que nos impingem e somos incitados a crer é absolutamente falso, improvável e irreal? No entanto, nossa natureza aprecia ser enganada e iludida na pretensão do ‘eu resolvo’ ou ‘Deus resolve’, nas leis do menor esforço e da mínima dor. E você observa que pensar e assumir o entendimento causa dor?