2017- 02 – 07 Fevereiro – Xampu – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão
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Xampu!
“Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é…” E assim troteava-se no salão de carnaval em voltas e mais voltas, como parafuso que perdeu a rosca. E numa época fatídica do politicamente correto, não se falaria que alguns realmente perderam a rosca. Mas isso são outras novelas. Essa coluna, que não é machista, envereda pelos caminhos conhecidos até demais pelas mulheres – xampu ou shampoo! É do homem pegar o primeiro pote ao alcance da mão e derramar na cabeça. Marca, tipo, modelo? Isso o homem conhece de carros, mas xampu ainda é um caminho obscuro para muitos. Sabe-se que o “gaúcho macho barbaridade não usa essas frescuras, pois o cabelo do guasca leva banha de ovelha”. Mas se o taura continuar na coluna, serve para saber “como anda o mundo da banda de lá”. E há um arsenal de produtos da espécie xampu. Para todos os gostos e desgostos, necessidades e afetividades, odores e fedores. Uma amiga do ramo da estética faz cursos de imersão em finais de semana para homens que necessitam sutilmente usufruírem dos novos benefícios cosméticos. Alguns se afogam.
Crônicas & Agudas
Há palestras, filmes, experimentações e orientações psicológicas. “No meu curso armário não tem porta”, gaba-se com a experiência de monge libertino. Xampu para cabelos oleosos e outros para cabelos secos, em vários graus de oleosidade e secura. Xampu para hidratação superficial e profunda. Xampu com os mais variados perfumes, alguns para cativar subliminarmente – dizem (eles dizem, conto, mas não fui lá ver) que vem com fragrâncias orientais, indianas que quando já é bom fica aperfeiçoado e se já tem o fogo que arde sem queimar, o sexo tântrico explode. Um colega tem esmagado, triturado e colocado aquele comprimidinho azul e seus parentes dentro do xampu, vitamina D, catuaba com nó de cachorro. Ele relata que tem causado furor. Há xampu para que perde os escassos cabelos, que falam maravilhas como transformar bola de sinuca em bola de tênis. Há que proteger outras áreas para não escorrer o xampu e ficar com excesso capilar. Coisa de louco, meu. Um adolescente com as mãos cabeludas refere ter usado o xampu paterno.
Cr & Ag
Tem coisa tão fantástica nesse ramo que os xampus manipulados trazem fórmulas que dariam um nó na cabeça do Paracelso. Fazia muito sucesso o “xampu do Eike Batista”, agora que está engaiolado, talvez faça sucesso a vaselina – que passa nos carros. Há xampus de todas as famosidades nacionais. Todos querem o segredo do Lula e da sua maravilhosa prole, não há delação que abra essa caixa preta e o “xampu do metalúrgico” é segredo. Em mês carnavalesco em que pierrôs, arlequins e colombinas se amarão ludicamente e seguirão seus caminhos, o brilho labial e o xampu fluorescente estarão descobrindo os amantes sob a luz negra. Que lindo! Poético. “tanto riso, quanta alegria, mais de mil palhaços no salão” e milhões pagando a conta. Mas é carnaval. Antes disso – é Brasil. “Ame-o ou Deixe-o” – lembra?
Cr & Ag
Gosto de um xampu com cafeína para não dormir quando quero e não consigo escrever. Há que aprecie a soma de xampu com creme rinse ou leite de cabrita. Outros querem cabelos esvoaçantes ao vento como a capa do Superman. Há quem goste de associar um fixador de penteado, principalmente nos dois extremos – muito e pouco cabelo, para traçar curvas arquitetônicas tipo Niemayer. Outro é “síndrome de libélula cintilante pra lá de Bagdá”. Nada contra. Que coisa, como tem gente com preconceito contra esses importantes e insubstituíveis amigos capilares, mesmo sabendo “que é dos carecas que elas gostam mais” – estou em plena veia carnavalesca. O Moro soltou o Momo!
Ficamos assim, xampu não lhe garante “uma cabeça boa”, mas pode e deve melhorar seus fios e fiapos do topo do mastro.