2017 – 04 – 04 Abril – Voltar para contar – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
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Voltar para contar!
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stava trabalhando uma imagem de “Ghost, Do outro lado da Vida” em que Demi Moore trabalha a argila, girando-a e moldando-a com seus dedos e mãos e logo atrás dela, abraçando-a, Patrick Swaize. A trilha sonora envolve-os, como em raros momentos do cinema. Lembra? Se não assistiu, busque numa locadora ou no Netflix e deixe-se surpreender ou reafirmar o amor dentro de você. Dentro de cada um de nós. O filme é surpreendente e de uma beleza com sensualidade que transcende e eleva. É uma forma de captar, sentir, sensibilizar-se com o amor e o poder que dele emana. Um poder que rompe com as barreiras do tempo e principalmente da vida e da morte. Principalmente com a morte que a tantos assombra, que induz insegurança, que limita e está sempre à espreita numa enfermidade ou num assassino nas sombras. Apesar de que todo o ser vivo tem uma única e inarredável certeza depois do seu nascimento – um dia isso acaba, essa forma ou essa modalidade de vida termina com aquilo que se conveniou denominar de Morte!
Crônicas & Agudas
Estamos todos, de alguma forma, atrelados a dogmas, ensinamentos, repetições e tudo aquilo que se torna ou habita o “desconhecido”, traz e mobiliza marés de insegurança. Brutal insegurança, por vezes. Quantos repetem a frase – “quem foi não voltou para contar, então não dá para saber”? Muitos transitam por “sua fé” que repete o eco de uma casca dura e quase impenetrável. Outros intitulam-se religiosos ou espiritualizados, mas o temor persiste e o desapego da materialidade torna-se sofrido. “Até acredito em Deus, mas ninguém sabe o que tem do outro lado”, dizia-me um amigo. Aqui já há um “outro lado”. E para quem não crê no Criador? Mesmo assim o Criador continuará crendo nele e lhe permitindo e auxiliando a evoluir.
Cr & Ag
Outros apegam-se às crostas refratárias e espoliam a todos e a sua vida numa existência banhada em fluidos sombrios e corrosivos. Firmemente encastoados, brutalmente empedernidos na volúpia do poder para mais e sempre mais poder, no acúmulo de riquezas à custa do sofrimento de outros seres, glutões ou criaturas vorazes que devoram qualquer luz a sua volta. E tantos com seres sombrios como eles, mas que se sentem atraídos pela similaridade do lado negro. Em Ghost ou Espírito do Amor, o elo entre Molly e Sam mostra a sua intensidade e eternidade. Um casal pleno de amor, iniciando uma vida no novo apartamento. Um assassino contratado pelo seu melhor amigo para que ele não evoluísse a descoberta de falcatruas na empresa. Uma ex-presidiária Oda Mae (Whoopi Golberg) encontra uma profissão de “médium”, farsante e temerosa. Não, não contarei mais. Assista. E como num bom livro e num ótimo filme, assista outras vezes.
Cr & Ag
Uma voz interior, creio que uma Luz interior, nos mostra e indica caminhos. Muitas outras trazem as dúvidas, insatisfações, temores, avolumam egoísmos, cultivam ervas daninhas e até venenosas para si e para aquilo que deveria ser o jardim de sua existência. Não importa quanto tempo ficares ao lado de alguém, ninguém sabe o minuto seguinte, mas se ame, amando intensamente quem está ao seu lado, consigo, numa confluência, numa sinfonia audível ao espírito do amor e jamais cairá no fosso escuro do esquecimento. O ciclo do amor é contínuo e inexorável. Sempre os círculos se fecharão e novamente se abrirão para o renascer eterno. A escolha é tua. E minha. Cultiva-se e aduba-se aquilo que queremos.
É difícil? Muito. A jornada nessa Terra tem essa finalidade – evoluir pelo entendimento. Insistimos em tentar aprender e conscientizar com a Dor. É a mesma energia que se gasta em fazer o certo ou o errado? Dispende-se muito mais nos erros e principalmente na persistência abusiva do erro.