Terceirização & Parcelamento! – Edson Olimpio Oliveira. Crônicas & Agudas. Jornal Opinião. 03 Maio 2017.

 

2017 – 05 – 03 Maio – Terceirização & Parcelamento – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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Terceirização & Parcelamento!

F

ico abismado com o noticiário estampando toda sorte de críticas e agressões contra aquilo que a pretendida reforma trabalhista chama de “terceirização”. Inclusive o Sindicato Médico veicula propaganda contra a terceirização como se fosse algo novo, trazido agora dos quintos dos infernos mais dantescos. Algo desovado pelo “golpe” e urdido nas sombras da democracia por alguma mente maligna que ainda não caiu nas malhas da Lava Jato, por exemplo. Essas criaturas não são idiotas ou desinformadas. Que seriam? Tenho quarenta e seis anos na Medicina, seis como acadêmico e o resto na ponta da corda, na derradeira trincheira contra a enfermidade como médico e cirurgião. Como acadêmico já éramos “terceirizados” nos hospitais e prontos-socorros onde fazíamos plantões sem nenhuma proteção das famigeradas leis trabalhistas e sem nenhum direito adquirido.

Crônicas & Agudas

Como médico e cirurgião com até cinco dias por semana dentro de plantões (24 horas) hospitalares como clínico, obstetra e principalmente como cirurgião e jamais tivemos algum “direito trabalhista”. Deveres muitos! Obrigações (muitas) que alguém alegava ser nossa obrigação “pelo juramento médico”, como uma bofetada em palavras. A maioria dos médicos assim vivia sem acionar ou processar as instituições buscando “direitos”. Somos credenciados de instituições gigantescas (planos de saúde) e poderosas como o Instituto de Previdência do Estado – IPERGS e dessa forma deveríamos ganhar honorários no valor da consulta ou da cirurgia, da internação ou do parto, conforme a instituição ou empresa arbitra ao seu bel prazer. Além disso sempre pagou as faturas quando pode ou quis –hoje chamam “parcelamento”. Tanto o IPERGS como os hospitais ou outras instituições não dispunham de médicos abrigados nas leis trabalhistas, há “credenciados”. Fomos muitos milhares. Sem nenhum direito à férias, décimo terceiro salário, pagamento em dia ou qualquer cobertura na enfermidade e sendo demitido ou descredenciado sem qualquer direito. Médico é gente. Médico ainda é humano e além de si tem família e uma vida como qualquer criatura com ou sem juramento.

Cr & Ag

Soa ridículo ou egoísta até o DNA ver criaturas inteligentes acharem normal que alguns não são trabalhadores e humanos como eles. Até seus pets são melhor tratados e de nenhum deles se exige como se exige daquele médico a sua frente. Uma senhora deputada radicalmente contra a terceirização, como sendo algo novo, esquece que certamente ela há muito tempo terceirizou a educação de seus filhos, do seu lar, etc. Talvez terceirizou outras coisas, como muitos. O que nunca foi ilegal ou ruim antes agora é? Crie-se vergonha e consciência crítica. São entendimentos assim que nos colocaram na situação vergonhosa que o Brasil se encontra. Parasitas infiltrados em todos os organismos exigindo “direitos” (privilégios) extorquidos do trabalho alheio. Surgirá quem “não sabia de nada”. Impacientes e egoístas exigem seus “direitos” (“eu desconto um dinheirão todo o mês no instituto”) que são absolutamente ‘tortos’, pois sequer lhes importa se o profissional que lhe trata (ou a seus familiares) recebe um valor minimamente justo (sem parcelamento, glosa ou terceirização). Ou se esse mesmo profissional está coberto por um singelo xale, mesmo que não seja o grosso cobertor das vantagens que o abriga.

Cr & Ag

A dor aumenta quando esse tipo de criatura é educadora, orienta os filhos alheios, mas abrigada por privilégios e direitos adquiridos (existe dever adquirido além do juramento?), como a estabilidade funcional. “Livro o meu e o resto é problema deles”! – Triste ouvir e sentir isso. Mas é a realidade com o urro ou o silêncio do Egoísmo. Enquanto não mudarmos nosso caráter como pessoa respeitando aos outros como queremos que nos respeitem e que todos tenham salários dignos e compatíveis com o seu trabalho (não confundir trabalho com emprego!) seremos um nação de safados, criminosos, boiada e salvadores da pátria e muita gente realmente carregando o andor, zurrando, trabalhando e pagando as contas – suas e dos outros! Alerto: não generalizo jamais!

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