2017 – 05 – 23 MAIO – ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS – EDS OLIMPIO – Crônicas & Agudas – Jornal opinião
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Álbum de Fotografias!
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s dedos galopeiam quase desenfreados nas telas sensíveis dos modernos celulares, as imagens se debulham como espigas de milho seco na tormenta, os olhos relampejam buscando a imagem ou a foto desejada. Imagens se acumulam e rodam num redemoinho multicromático. A plateia ao lado tenta vislumbrar algo que lhe sensibilize. Misturam-se imagens da pessoa, da família, selfies nos mais bizarros ângulos, imagens recebidas de sexo ou de política, de festa e de morte, imagens arquivadas na virtualidade e muitas na mais efêmera impessoalidade. E aqueles dedos ansiosos, já não encontrando a imagem perseguida, estampam qualquer uma outra que lhe sirva ou que a plateia demonstre alguma curiosidade. Acumulamos com orgulho e sublimação as imagens de nossa rápida existência num álbum no Facebook ou no Instagram, ou algo do gênero. Nossos milhares de amigos virtuais irão compartilhar numa valsa em que todos bailam.
Crônicas & Agudas
Torrentes de fotos dos filhos e dos netos atropelam as imagens de amor eterno (enquanto durar!) de ‘love is all’. Constatações antes de críticas. Bem antes das críticas vem as imagens guardadas em quadros na parede da sala com as pessoas ilustres, por serem amadas e respeitadas da família. Sei que assim não mais vigora. Ainda sobrevivem as fotos da vida das pessoas e da família em arranjos decorativos sobre um aparador ou outro móvel. E as fotografias ‘enlatadas’ ou numa caixa decorada, talvez de algum presente de aniversário que albergassem perfumosos sabonetes? Onde estarão? Nalgum álbum virtual deletado por um vírus de bruços no computador? Que delícia abrir uma caixa e esparramar as fotos que nos encantam e nos fazem voltar no tempo e naquela situação sobre um tapete ou na colcha da cama! Tocar e cheirar. Ocluir as pálpebras e sentir-se retornar em tempo e espaço e curtir momentos que a nossa pessoalidade jamais deveria esquecer.
Cr & Ag
Crises? Dificuldades conjugais? Sentam-se juntos e trocam as imagens que fizeram quando ainda o amor falava e tocava mais. Um bálsamo derrama-se no coração mais renitente, no humor mais empedernido, na língua que ‘não pode deixar passar’, na personalidade vingativa ou justiceira. E… Se o amor não transcender, se a brasa rubra não se reavivar, se alguma flor não se abrir e os lábios não sentirem qualquer vontade de se tocarem, ficarão as imagens de algum tempo em que foram felizes. Guardem-se as alegrias com as provas indeléveis no papel. E na felicidade? Abra-se a caixa de fotografias e renovam-se juras, reviva-se a felicidade contida na imagem que transcende e realimenta a alma. Acumule-se energias de amor e de confiança para os dias tormentosos que todos terão.
Cr & Ag
Sentar-se com um filho ou com os netos e visitarem novamente um universo que te fará contar as histórias que lhes encantarão e avivarão algo tão perdido nas famílias, o amor real e tocável. Palpável. Sensível aos olhos sem a correria de dedos nos mouses ou nas telas. Que as mãos sejam mais sensíveis que as telas. Que as peles se toquem e os lábios expressem seus sentimentos e o beijo e o abraço sejam reais. Real e muito mais sensível ao toque numa imagem com todas as dimensões do amor que se faz vivo. Experimente! Será terapêutico. Para todos! Aquelas imagens que foram visitadas com as crianças sempre se reavivarão e no curso da existência elas brotarão em coragem, força, persistência, humildade e sabedoria. Somos seres que necessitamos imensamente que nos demonstrem que somos amados. A fotografia pode renovar o cenário. E faz! E quando a tua criança lembrar do balanço que andava, do brinquedo esquecido, das brincadeiras sob os braços da figueira, do cãozinho correndo na praia e outro dia pedir para olhar novamente contigo e que tu contes e relembres cada fotografia, nesse dia o universo será mais luminoso e o horizonte será belo e jamais perdido.